quinta-feira, 4 de março de 2010

Um pequeno conto para vocês, que fiz logo após ler um sem sal, sem açúcar e sem pimenta!

UM BELO ESPÉCIME

Eu estava sentada em meu banco de pedra, lindamente sentada, ereta e linda como uma estátua. Não havia nenhum banco de pedra ali, não naquela estrada deserta e escura, mas eu com minha força e prática o fiz de maneira tão fácil como se pode montar um de lego. Eu estava ali sentada e pensando em minha vida. A minha vida estava tão vazia naqueles últimos tempos, tão tristemente, irritantemente vazia, depois que decidi deixar de tentar e esperar chegar a...
Mas nesta noite, esta noite eu queria um homem. Qualquer um, não me importava mais com o que eu iria fazer depois...
Havia muito que eu não sentia como era ser tocada, acariciada e naquela noite em questão, eu estava ali parada sonhando, pensando e analisando os pontos a favores e negativos, mas se fossem como no passado novamente teria somente pontos negativos... E eu já estava velha demais pra não ficar entediada depois de mais uma frustração... Eu estava ali sentada sozinha, na escuridão da noite, na madrugada fria que eu não sentia, e eu era uma linda mulher, uma aparição para muitos, meus vestidos ousados e colantes delienavam o meu belo corpo. Trazia pendurado ao pescoço e que brilhava em meu colo um lindo e antigo cordão de ouro com um belo crucifixo ao peito, que ao invés de demonstrar religiosidade demonstrava que eu era o profano querendo me divertir com o sagrado, com o divino. Minha cabeleira loira avermelhada demonstrava que eu era uma mulher selvagem. Meu caminhar demonstrava toda a minha feminilidade e meus traços eram perfeitos. Pele perfeita, sem nenhum risco ou uma veia sequer, eu era lindamente linda... Há anos eu não podia andar pelas ruas da cidade sem que eu tivesse que ouvir piadinhas sexuais ou ser confundida com prostitutas de luxo, e eu sorria quando de bom humor e pensava...ah se eu fosse você eu não queria experimentar essa prostituta aqui. Eu poderia não me controlar e daí coitadinho de quem eu provasse... E com toda a certeza essa não seria a primeira vez e muito menos a última...
Eu estava sozinha. Sozinha no mundo. Mas o meu mundo era diferente. Eu não flertava com a morte. E eu apenas ia seguindo o meu caminho, sozinha, lindamente sozinha. O tempo também não queria nada comigo, pelo menos o meu corpo era incólume a ele. Desde o dia que despertei deitada debaixo daquela imensa árvore, com minha roupa toda rasgada, e sinais por todo o lugar de que eu fora atacada, que eu fora usada, eu me despertara já com este meu belo corpo e minha cabeleira. Eu não sentia mais dor, eu não sentia mais medo e eu não sentia mais amor. Eu já não mais me sentia como uma mera humana. Eu agora era uma mulher e somente isso. Uma bela mulher que buscava um homem. Nada demais para mulheres. Mulheres sempre buscam seu príncipe. Seu companheiro. Seu cafajeste.
E eu estava neste momento querendo apenas um homem... Eu já perdera a esperança de arrumar um parceiro, um companheiro ou quem sabe sonhando muito, demasiadamente um marido.
E eu estava ali sentada já fazia horas, porque para mim tanto fazia o tempo, e estava pensando e imaginando como eu iria abordar a vitima, o coitado. E eu não estava com a mínima vontade de me fazer de atriz, coisa que fazia com perfeição, como um predador que namora sua presa.
Eu então ouvi uns resmungos e uma passada forte. E alguém chutou algo com força e disse por entre os dentes: _ Se você não fosse meu brutu, eu te mandaria pro ferro velho. Mas amanhã venho te buscar lata velha querida e fechou com força, com certeza, o capô. O homem saiu caminhando, pisando forte no asfalto. Resmungando, xingando coisas que eu não queria saber. Eu nem movi meu corpo, nada, apenas o escutava a cada passada mais perto. Eu já estava cansada demais pra ficar dando atenção a futilidades. Já havia feito isso tantas e tantas vezes e tudo terminava em sangue.
Agora queria evitar o sangue, não que eu não me deliciasse ao ver o sangue escorrer, vermelho, quente e viscoso por sobre o leito. Mas foram tantas e tantas vezes e de tantas as maneiras que eu não queria isso agora. Apenas havia me decidido a esperar. Nada mais...Esperar...
O tempo passou como sempre passava e as passadas chegaram próximas e então ouvi algo novamente: _ Uau... Puta que pariu... Que visão... Brutu meu colega obrigado... ETA carrinho bom...
Eu não estava na estrada... Mas estava sentada próxima a ela e logicamente minha beleza era um alvo fácil ali. Ainda mais uma mulher linda, sentada com suas belas pernas cruzadas, seios cheios e um vestido esvoaçando mostrando sua pele alva. Realmente uma aparição.
E pelo jeito assim como todos outros, ele gostou do que viu e logo ficou animado, pensando no predador como mera presa. Repeti mentalmente pra mim mesma... Coitado...coitadinho... Deus perdoa-nos porque nós não sabemos o que fazemos... Principalmente eu que tudo sei, é verdade, mas nada sinto... E pela primeira vez depois de horas levei a mão no belo crucifixo e levei á boca, beijando-o. Como se aquele ato fosse um ato de reverência e de respeito a Deus.
Ele se aproximou e limpando a garganta disse com seu tom sério: _ Está perdida senhorita?
Eu apenas balancei a cabeça que não. Não queria falar com ele.
Ele então se aproximou mais de mim. E eu pensando se você fosse esperto, fugiria. Ainda mais hoje.
_ Está esperando alguém?? E eu balancei novamente a cabeça negativamente. E ele continuou:
_ Mora perto moça? E novamente fiz que não.
Ele então veio passos firmes e sentou-se ao meu lado. Eu me distanciei dele e o vestido caiu mostrando ainda mais minhas coxas torneadas. Ele olhou é lógico. Tudo em mim era sedução. Eu era o divino e o profano. O céu e o inferno. Eu era a personificação da perfeição e da sedução tudo em uma só. Eu podia ser perfeita, a amante ideal, a mulher perfeita no ver de um homem.
Ele então começou com sua voz máscula: _ O que diabos uma moça tão linda está fazendo nesta maldita estrada deserta de madrugada?
Deu vontade de responder a ele, mas modificando suas palavras, e eu o fiz mentalmente só pra mim, como se quisesse me convencer de algo antes de fazer. O que Deus-do-céu um moço saudável está fazendo nesta bendita estrada deserta de madrugada. E então eu o olhei. E ele era lindo. Um belo espécime. Pensei. Talvez o melhor de todos até agora. Pensei, eu o quero. Mas não vou mordê-lo. Não, não vou.
E então pela primeira vez, ainda com a cabeça abaixada disse com voz sensual:_ Eu estou esperando por um homem. Pode ser qualquer um. Não me importo.
E ele olhou novamente pra mim e eu pela primeira vez também analisei o material a ser comprado. Ele era a testosterona em pessoa. Ele era másculo. Homem. Era alto, magro, forte, tinha os cabelos curtos bem cortados, suas mãos eram macias e seus dedos deveriam ser ágeis. Sua pele era de um moreno-claro, e seus olhos e seus dentes perfeitos brilhavam ao ver minha beleza. Ele usava calça jeans escura, camiseta preta, camisa de flanela, jaqueta e um belo par de coturnos. E isso demonstrava que não era qualquer um. Sim, era um belo espécime. E deu vontade da gata aqui brincar com o rato ali. È seria uma pena se ele não superasse minhas expectativas, tão lindo, tão másculo, tão moldado. Sim, moldado, ele devia ser aqueles homens magros e trincados por natureza. Ele tinha charme e beleza genéticos. Pensei mais uma vez em Deus. Será que Deus, nosso criador, atendeu minhas preces. E pensando nisso disse ao moço bonitão com minha voz grave agora: _ E se não houvesse perigo nenhum pra mim aqui? E se eu fosse o perigo, moço?? O que você faria??
E ele riu e com seu ar machão disse com sua voz rouca: _ Eu adoro o perigo. Ainda mais com curvas tão acentuadas. Ah e belo crucifixo, moça. Eu sorri ao ouvir suas palavras e pensei é realmente um belo espécime. E também tem bom humor. Seria uma perda. Sinceramente uma perda, se eu fosse sincera, seria. Eu continuei: _ Não tem medo?
E ele riu mais uma vez e disse com sua voz rouca: _ E lá sou bicha pra ter medo. Eu sou homem. E eu não tenho medo de nada. Abraço até a morte se for necessário. Ainda mais se ela fosse como você. Uau!! Aí eu não iria ficar só no abraço.
Eu sorri e como disse ele era um belo espécime e eu não iria mordê-lo, mas também não iria mentir pra ele, então eu continuei, agora virando rápido o corpo e ficando de frente pra ele e debruçando o corpo bem próximo ao dele disse com voz rouca sussurrada: _ Quer ver porque a moça aqui é o perigo??
Ele fez que sim com a cabeça olhos fixos em meu decote, em meus seios firmes e redondos, e no crucifixo que os tocava, conforme a minha respiração. Eu continuei e disse com voz sensual olhe bem pra mim e me fala o que vê.
Ele se levantou, afastou um pouquinho e disse com sua voz maliciosa: _Uma bela mulher que necessita de um companheiro, e que deu sorte de ter me achado. Eu gostei da sua resposta. Ele leu o meu desejo daquela noite e todas as demais perdidas no tempo, e então eu sorri e mostrei a ele as minhas belas presas, meus caninos se encostando em minha boca vermelha e carnuda. Ele sorriu ao ver e disse com seu jeito machão: _ Meu Deus obrigado pela dádiva. Vai ser a melhor primeira vez da minha vida. Ou será da minha eterna vida.
Eu me assustei. Até ali foram muitos. Muitos mesmo. Mas nenhum deles, nenhum teve a mesma reação ao descobrir que eu era uma vampira. E ali estava ele me olhando quase babando de desejo e sorrindo por descobrir uma legitima e sexy vampira.
Ele se aproximou e disse com seu jeito másculo: _ E ai ainda quer um homem?
E eu com desejo, minha volúpia aumentava a cada segundo que permanecia ali perto dele, disse com voz sensual: _ Quero! Oh como quero, como desejo um homem. E ele com sua voz rouca: _ Posso ser esse homem. Não vai ser nenhuma tortura, antes mais vai ser um prazer. Poder tocá-la, senti-la na real e quem sabe amar-te como há tempos não é amada.
Olhei pra ele incrédula. Ele me olhou e piscou pra mim. E eu já me segurando disse com minha voz sensual sussurrada: _Pode. Mas não vou mordê-lo. Eu o quero apenas como homem. Macho da espécie e só. Não vou mordê-lo.
E ele como se alguém lhe tivesse tirado algo de muito importante disse com sua voz jovial: _ Droga! Merda! Eu queria. Ia ser um vampiro bonitão. Gostosão. Iria ter um monte de vampiras. Uau! Quanta honra seria.
E eu me levantando e me aproximando ainda mais do seu corpo, e colocando agora minhas mãos macias e frias em seu rosto, o que fez ele se arrepiar todo, disse sussurrando mais uma vez, agora bem próximo ao seu ouvido: _ Eu não vou mordê-lo. Mas agora me faça sua. Toda sua.
E ele descendo sua cabeça me beijou e eu senti em seu beijo todo o desejo que ele sentia por meu belo corpo. Ele se juntou mais a mim, me abraçando e com uma mão desceu a minha coxa e subiu pela curva de meu corpo, subiu das coxas até meu pescoço, passando por meu seio túmido e apertando-o com desejo e a me ver gemer com seu toque, ele disse com sua voz grave agora no meu ouvido, o que me fez arrepiar depois de muito e muito tempo: _ Vai ser um prazer torná-la minha mulher. Minha única mulher.

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