Primeira Parte
O Senhor Perfeito
A cada 300 a 300 anos, mais ou menos, não sabia mais como definir e também nem mais me importava com isso, o povo de Vampyria sofria muito. Eu nesses tempos estava como diziam os ignóbeis humanos, estava com a macaca e o zoológico inteiro, e qualquer coisa me irritava. Eu nem podia dizer que eu não era perigoso... Porque agora perigoso pra mim era adjetivo de criança, eu já estava mais pra letal, fatal ou qualquer coisa que mata e seja cruel ao mesmo tempo... Os antigos já sabiam bem o porquê de toda essa minha fúria descabida, gratuita e eles espertos e experientes como eram nem se aproximavam de mim, por nada que pudesse existir seja qual mundo fosse.
Eu apenas me vestia de preto, ficava solitário e gostava das trevas. Isso preto era uma boa cor. Ótima cor para o momento que eu estava vivendo. A única cor que somente aceitava era o contraste de minha pele pálida com a roupa. Continuava me vestindo bem e sendo o mais belo, o mais charmoso. Não deixava jamais de ser o Senhor Perfeito. E eu estava ali naqueles malditos dias eternos vivendo esse inferno interior....
Eu já havia visto e presenciado ela nascer, crescer e morrer, tantas e tantas vezes. Já a tinha chamado de tantos e tantos nomes diferentes. Já a havia ganhado e perdido tantas e tantas vezes, que ali estava eu de novo... O senhor Perfeito vivenciando todo o filme novamente... Filme esse mais do que aterrorizante pelo jeito que desenrolava....
Eu já havia visto ela, a minha amada imortal, a minha futura esposa, nascer, crescer e se tornar jovem e bela, e agora estava eu degustando, provando, experimentando, vivenciando, e presenciando os anos mais difíceis e cruéis para um homem-vampiro. Ver a minha mulher, a minha amada nos braços de outro homem... Pois sim, Deus somente aceitava que eu entrasse em sua vida se primeiro os crápulas, cafajestes, desgraçados e sei lá mais o que, porque eu queria, desejava matá-los devagarzinho, bem devagar, para sentir cada gota de seu suor gerado por minha fúria virar sangue..., eu somente podia entrar depois que esses seres ínfimos e malditos deixassem ela por sua vontade própria. Sim! Para minha desgraça maior eu não poderia tê-la sem antes ela experimentar os mesmos da maldita raça... Justo eu, o Senhor Perfeito, não tinha o direito, o mérito e nem a graça de ter a sua amada pela primeira vez pura, nem sequer por uma única vez.... Maldição!... Eu constantemente gritava aos quatro cantos do meu mundo... Já havia tantas características ruins em ser um maldito vampiro, e agora mais essa, essa regra desgraçada que Deus deve ter tido o maior prazer em criá-la, elaborá-la, pois sendo sábio e onipresente e onisciente, Ele sabia o quanto eu ia sofrer com isso, o quanto isso ia me machucar, me ferir como homem, ser másculo, macho da espécie, e ai morava o meu castigo, o meu perpétuo castigo... E era assim que Deus me castigava, se vingava. E castigando a mim, castigava também todo o povo de Vampyria e quem quer que fosse.
Os dias de sua juventude eram os piores para mim. Eu não podia me aproximar, somente podia vê-la ali linda, jovem e ingênua, livre, leve e solta pra algum safado se aproximar e levar a minha amada. E isso geralmente acontecia... Sempre acontecia... Eu não deveria nem ficar nervoso, porque eu sabia que ela era humana e tinha todo o lance da adolescência, hormônios, desejo sexual e essas coisas mais, mas eu não conseguia ter isso em mente, e a cada um que se aproximasse e se relacionasse com ela eu perdia total e completamente o meu controle, e sendo Líder eu era e me tornava o caos para o meu povo e quem aparecesse na minha frente.
Nessas malditas entregas de minha amada apaixonada a esses cafajestes eu já havia feito muitas e muitas vítimas fatais. Geralmente em suas primeiras vezes, eu matava e arrancava o coração da vitima ainda pulsando e o comia de ódio, por não poder fazer o mesmo com o crápula que apenas a queria para levá-la pra cama. Eu vivia na farra se assim também um vampiro de data tão longínqua possa assim dizer. Eu transava, trepava ou tentava ser amoroso com algumas vampiras, algumas mulheres, mas não funcionava, isso apenas aumentava a minha raiva, o meu ódio por não tê-la. A única coisa que eu fazia nessas épocas e que me deixava um pouco mais confortável e que também me aproximava mais do que se pode dizer do humano, do varão, era entrar em um bar e encher a cara, nem que fosse pra explodir os malditos copos com as minhas mãos, já que o álcool quase não fazia efeito, só para me sentir um pouco mais como tantos camaradas que um dia também amou e também perdeu a sua amada. A minha querida, a minha amada, já era uma mulher, uma linda mulher, que eu, o senhor Perfeito ainda não podia possuir.... E isso me matava, me destruía por dentro...
Contudo com tanta dor e sofrimento, eu já estava começando a entrar em sua efêmera vida. Sim! Ainda tinha isso também pra desgraçar o resto, a sua vida e a sua beleza, era frágil, efêmera, passageira, curta. Maldito Deus! Eu xingava ou esbravejava cada vez que me lembrava ou passava em minha mente as cenas que ela estava vivenciando, sentindo... É os meus poderes colaboravam muito também pra piorar as coisas... Sempre mostrava pra mim as piores cenas que eu jamais queria ver... E então eu ficava louco e quem quer que surgisse na minha frente, sem aviso prévio, conhecia o meu pior lado...
Eu já havia começado a encantar a sua mente... E para minha graça maior o último desgraçado já não mais a queria... Maldito... Apenas usufruiu do seu corpo e sua juventude... Porém como dizia eu já estava querendo me aproximar, não suportava mais tudo isso, todo esse sofrimento de homem apaixonado, e somente não fazia porque ainda não sabia como.... Eu já a estava visitando periodicamente enquanto ela dormia... Ela vivia em uma cidade não muito grande com seus pais, mas eu não podia aparecer e nem me declarar pra ela em um local com público, mesmo tendo poderes pra acalmar ou desmaiar quem quer que fosse. E eu ia aplacando a minha raiva, a minha tristeza acompanhando as suas noites... Até que um dia, lá mesmo, em sua casa descobri que seus pais tinham um sitio no interior e que a casa ficava sempre fechada e vazia no meio do mato... Perfeito eu pensei. Fiquei feliz e esperançoso porque no meio do nada, nada demais poderia acontecer.... E então eu comecei a infiltrar em sua mente memórias passadas daquele lugar, incitando nela o desejo de ir visitar, de ir pra lá... E assim quem sabe, logo, logo, eu o Senhor Perfeito, poderia finalmente ter os cacos de minha amada imortal novamente em meus braços.
Por VIVIAN SOUZA.
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muito bom,,,,,
ResponderExcluirNão é atoa que ele é bom foi feito por quem
*Um amigo escreveu:
ResponderExcluircaracteristicas suas revestidas em um personagem homem
Interessante.
muito 10
ResponderExcluirmuito bom, seus contos são nota 1000
ResponderExcluiro/
o senhor perfeito,que circula pelas trevas e pelos dias de luz, capaz de ver tudo,quase tudo,tamanho poder lhe traz dor e sofrimento e como sempre,uma alma feminina lhe rouba a paz.o senhor perfeito,com aspectos de uma raça totalmente inferior (humanos).sendo assim, o senhor perfeito não existe , apenas vaga entre o real e o abstrato,um ser que não aprendeu,apesar de tantos séculos de existência a controlar algo bem humano ''emoções''.O fato, é que ainda , ou melhor, mais do que nunca a alma feminina transforma ''senhores perfeitos'' em simples bonecos articulados.Más, como seria então uma ''senhorita perfeita''? como seria seu comportamento em relação a esses simples sentimentos humanos?Será que algum dia uma doce ,bela e sedutora vampira irá invadir meu atelier ,numa noite de chuva?, e cowm sua força e feminilidade me jogar numa parede,rasgar minhas roupas e me possuir? Não sei,más, de uma coisa é certa,meu atelier que recebe a visita de tanta luz,também recebe sempre a falta de luz! E quieto num canto, espero noite a noite a assustadora e deliciosa visita de uma linda vampira...
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