Segunda - Parte
Eu Amada???
Eu estava passando por um mal bocado em minha vida. Principalmente e especialmente minha vida amorosa. Desde jovem somente me apaixonara como dizia meu pai por moleques, desocupados e cafajestes. Este último então me largou e simplesmente disse a mim que já tinha enjoado de meu corpo e de arrastar esse namoro maçante e sem futuro pra frente.
Eu simplesmente o deixei ir sem uma lágrima sequer. Afinal de contas eu teria que criar vergonha na cara em algum tempo. E penso eu que esse tempo estava aproximando. Aproximando e rápido. Não queria mais me envolver, nem amar tão cedo outro homem, e nem mais pensava nisso ou sentia falta. Contudo no meu profundo Eu, no meu íntimo, eu estava magoada, ferida e me sentindo infeliz e abatida como mulher e ser amado. Eu não era nem sombra do que já havia sido em outra época. Sim eu estava ficando depressiva, pois minha juventude estava passando e passando e eu ainda não tinha encontrado um homem que me queria que me quisesse não pelo meu belo corpo, mas sim por minha bela alma. Bela alma isso eu tinha com toda certeza, mas ultimamente nem mesmo esse aspecto meu não estava mais belo. Eu simplesmente vivia em casa, solitária, macambúzia e totalmente deprimida. Já não me arrumava mais e não havia nada que me despertava interesse. Não comia, não bebia, não saía. Eu já estava me entregando e vivendo o papel de titia e empregada particular da minha mãe. E tudo em troca de nada.
Já havia dias que não me sentia bem. Já até tinha ido fazer uma visita, uma consulta com meu médico, e depois de vários exames ele dissera que o que estava sentindo era normal nos dias de hoje e que quando eu crescesse e casasse isso iria passar. Tais foram suas palavras, que eu somente pude chegar à triste conclusão de que eu estava sofrendo com mal de amor.
Mal de amor uma ova! Mal amada isso sim. E põe mal amada nisso. Eu somente queria dar um jeito em minha vida. Mas como??? Mas qual??? Estudar? Trabalhar? Ah! Isso não me completava. Não me satisfazia plenamente. Nem me fazia inteira, completa, equilibrada.
A única coisa que me auxiliava me tranqüilizava e me trazia novas esperanças era rezar. Acreditar em um ser maior que podia me ouvir, me envolver, me compreender, compreender o meu espírito, o meu anseio, o meu desejo pelo Outro. Eu rezava constantemente pedindo um companheiro, um marido, um ser para amar, para respeitar, mas que também fizesse e agisse do mesmo modo, do mesmo jeito comigo. Tratamentos e direitos iguais, divididos e partilhados igualmente.
E toda noite eu rezava e rezava, e pedia e já agradecia por esse ser em minha vida. E naquela noite em especial, eu adormeci, adormeci agradecendo a Deus por ele já estar próximo a mim.
* * *
Acordei no dia seguinte com o sitio de meus pais na cabeça. Desci para tomar café ainda com várias passagens da infância e da minha época jovem vivenciadas naquele lugar em minha mente. Elas passavam por minha tela mental como que desarquivadas de minha memória aleatoriamente, como se algo ou alguém quisesse que eu sentisse saudade, que eu sentisse falta daquele lugar e fosse para lá. Sim! E isso me fez lembrar que há anos eu não punha os meus pés lá. Pensei vou pra lá, quem sabe lá posso voltar a ser feliz, e na hora todo meu corpo sentiu uma imensa vontade de ir. Acho que vou para lá mesmo. Ficar um pouco sozinha. No meio do mato. No meio do nada. Sem ninguém, sem nada. Isso realmente me pareceu ótimo. Maravilhoso. Pelo menos nesse momento. Isso! Vou para o sítio, vou preparar minhas malas, revisar meu carro e avisar a todos que vou viajar sem destino e tempo certo para voltar.
Nisso o telefone toca na sala e corro para atender, e ao por o fone no ouvido ouço a voz ansiosa do meu irmão pedindo para que eu fosse sua babá no final de semana... Respondo to indo para o sítio e ele feliz da vida retruca do outro lado: _Ótimo passa aqui e pega ele. Ele nem esperou por minha resposta e desligou o telefone na minha cara. Coisa comum entre nós. De repente o telefone toca novamente e agora é minha irmã que já havia falado com meu irmão e que agora ela também queria que eu passasse lá e pegava a minha sobrinha que já estava pronta e à minha espera. E como sempre desligara também na minha cara. É esse era o problema, ninguém me amava e então todos se sentiam no direito de me desrespeitar.
Eu somente tive tempo de concordar intimamente em ficar com as crianças, afinal eu adorava ficar com elas e cuidar delas. E esse papel também seria ótimo pra mim agora, pois poderia me ajudar a me desvencilhar da maldita depressão. Organizei tudo o que necessitava pra tal viagem. Fiz compras. Peguei coisas básicas e necessárias para quando se vai pro meio do nada. Coloquei créditos em dois telefones pra segurança das crianças e minha e depois de tudo meticulosamente pensado e analisado, o carro revisado e tudo pronto, entrei no carro, sentei, prendi o cinto de segurança, e ajeitando-me e beijando o crucifixo que trazia ao peito, disse em voz alta uma oração a Deus. E segurando depois firme no volante e arrumando os espelhos suspirei fundo e exclamei:
_ “Que seja o que Deus Quiser.”
* * *
Chegamos ao sítio com o crepúsculo que já se anunciava. A casa antiga e velha precisava de muitas reformas, porém para passar apenas alguns dias agradáveis estava ótima. Descemos do carro e retirei dele somente o necessário que íamos precisar afinal nunca se sabe o que podia vir acontecer e eu preferia sempre me precaver. Entrei na casa e imediatamente iniciei os afazeres domésticos, as crianças foram brincar, correr, cair e ver um passarinho aqui ou acolá, ou então qualquer bichinho ou coisa que os chamassem à atenção. Eu limpei e organizei tudo, fiz a janta e fiquei um bom tempo na mesa conversando com as crianças, conversando coisas corriqueiras e infantis como sempre. Depois as levei pra cama e fiquei ali de companhia para que elas pudessem dormir. Elas adormeceram rápido. Rápido demais para o meu gosto, mas daí eu pensei deve ser o cansaço, correram brincaram como dois condenados desde que chegamos, e até eu estava já a muito cansada, exausta.... Sai em direção ao meu quarto e fiquei grata por ter os meus dois tesouros dormindo e ali comigo. Empurrei a porta do meu quarto que estava apenas encostada entrando fechando a com o corpo ainda no escuro, sentindo o conforto da penumbra cobrindo todo o meu ser. Havia um luar lá fora, encoberto pelas nuvens negras da noite, mas ainda assim havia uma claridade mínima da Lua. Senti uma tristeza profunda quase uma dor, naquela escuridão, pois ali eu me dei conta de que eu estava sozinha, eu era uma pessoa sozinha, solitária e infeliz. Sim infeliz e extremamente solitária.
Acendi a luz e qual foram o meu medo e terror por ver o que meus olhos viram. A imagem decodificada por meu cérebro quase me fez desmaiar de susto. Senti meu corpo inteiro tremular e minha respiração e pressão sangüínea ficaram irregulares. Havia um homem todo de preto sentado encostado no peitoril de madeira maciça da janela, com uma perna dobrada e seu braço por cima dela a qual sustentava também seu corpo inclinado o que formava um belíssimo contorno masculino e a sua outra perna já estava do lado de dentro do meu quarto com seu bonito sapato a pouquíssimos centímetros do chão.
Eu apenas ouvi a sua voz máscula, e no timbre de sua voz forte ele também demonstrava toda a sua angústia, mas mesmo assim era muito bonita e prazerosa de se ouvir: _ Não tenha medo, Querida! Não irei fazer nenhum mal a você. Jamais, Nunca....
Pensei vou abrir a porta e sair correndo, e quando meu corpo ia executar tal atitude , ele levantou levemente o seu braço e abrindo sua mão em direção à porta, a porta se soldou, fechou logo atrás do meu corpo, e eu ouvi novamente a sua voz forte, máscula dizendo: _ Não adianta minha amada, eu e você precisamos conversar nos entender, porque eu não suporto mais essa situação toda. Eu a amo e quero você de volta pra mim.
Pude agora ver que Ele levantou a sua cabeça que até então permaneceu levemente abaixada e eu percebi o quanto ele era lindo. Lindo podia ser apelido. Ele era magnífico, maravilhoso, o rei do baile, com toda certeza sempre. Agora fui eu que deixei cair minha cabeça e os meus olhos aos seus pés. Meu Deus ele disse que me quer de volta e que sou a sua amada. Esse homem me ama??? Mas Deus como??? Eu nem o conheço. Como então posso ser amada por alguém que não conheço??? Minha mente e meu corpo fervilhavam, tremulavam de medo ou de alegria, não sabia ao certo.
Ele pulou pra dentro do quarto e percebi por suas passadas que ele estava se aproximando. Ele estava bem próximo de mim já. E eu ali estática apenas esperando, esperando. Ele chegou bem perto e disse num sussurro o meu Nome e disse com todas as letras e sons: _ “Eu a Amo Minha Amada Imortal.”
Eu quase desfaleci, encostei meu corpo trêmulo e bambo ainda mais contra a porta. Meu Deus! Pensei não era isso que eu mais queria. E agora ele estava ali na minha frente. E eu agora só não sabia se Ele poderia ser sonho, realidade ou pesadelo. Ou talvez quem sabe um castigo ou bênçãos de Deus. Ele se aproximou ainda mais o seu corpo do meu, e senti na sua aproximação todo seu desejo e a sua ansiedade para ter-me junto a ele. Eu levantei minha cabeça e olhei para seu rosto. E ele sorriu e eu pude ver declaradamente as suas belas presas, seus belos caninos finos e pontiagudos. Na minha mente ouvi um grito sonoro e surgiu em letras garrafais a palavra VAMPIRO. Automaticamente levei a mão ao crucifixo de ouro e o apertei, enfiei contra o seu corpo como via nos filmes. Ele gemeu e caiu de joelhos com seu peito queimando de dor. Eu quase não acreditei. Sim ele era realmente verdadeiramente um vampiro. Um lindo vampiro. E estava de joelhos aos meus pés sofrendo e sentindo dor devido a um ferimento que eu fiz nele. E lá estava ele gemendo de cabeça baixa aos meus pés. Senti uma enorme comiseração por ele, senti quase sua dor e num impulso de ódio, puxei o cordão com força, arrancando do meu pescoço e lançando o longe e com lágrimas nos olhos, cai de joelhos escorregando meu corpo pela porta e peguei seu lindo rosto com minhas mãos macias, quentes e trêmulas pedindo e implorando por seu perdão.
Ele levantou o seu rosto triste me encarando, e como eu já me apresentava atormentada demais e chorando, por ter feito em seu peito tal ferimento profundo, e nenhuma palavra iria me acalmar penso eu, Ele encostou seu rosto no meu e me beijou. E com o seu beijo eu pude conhecer e experimentar e perceber em mim tudo o que ele estava sentindo e experimentando e a sensação e a impressão que se apoderaram de mim foi um misto de alegria, sofrimento e prazer. E eu tive a dádiva e a fé de saber que sim Eu era AMADA.
Por VIVIAN SOUZA.
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...SIM, VOCÊ ME FERIU,SINTO QUE UMA LUZ INTENÇA INVADIU MEU CORPO,MAS, ANTES QUE EU DESAPAREÇA NESSA LUZ,QUERO QUE PRESTE MUITA ATENÇÃO NESSAS MINHAS ÚLTIMAS PALAVRAS,QUERO QUE SAIBA QUE HÁ TEMPOS QUE ESTOU PERTO DE VOCÊ,NAS SUAS SOMBRAS,NAS SUA NOITES MAL DORMIDAS,NOS SEUS BANHOS GELADOS NAS MADRUGADAS,NOS SEUS PENSAMENTOS SECRETOS E INSANOS,NO SEU DESEJO ARDENTE DE SEXO.SIM, EU TE ACOMPANHO,NÃO TENTE ESCAPAR DO SEU DOCE PECADO, ESSE CRUCIFIXO QUE VOCÊ TRAS CONSIGO,ME FERIU,MAS, EU JÁ ESTOU DENTRO DE SUA ALMA E SEI QUE VOCÊ ME QUER...
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