segunda-feira, 6 de setembro de 2010
Poema que fiz para os meus auto-personagens... Minha mente reproduz como em um filme e eu dou o colorido que quiser a cena.
Desperto...
Meu corpo ainda queima e tremula diante de uma cena de descrições e delicias em minha mente
Te procuro...
mas você não existe...
Ainda imagino os teus carinhos, teus beijos molhados, suas caricias ousadas ,seus jogos de sedução e a tua respiração ofegante... Mas você não existe, é fruto da minha fértil e liberta imaginação .... percebo a realidade... e exulto-me por você ser a mentira, a fantasia.
Estou só! E quero permanecer só! E a lembrança do seu olhar apaixonado me fascina...
Como não pensar em ti.... Como não dar vida a ti...
Que me faz viver nas nuvens
Que me fez sentir novamente o orvalho da manhã
E transformou minha vida num eterno sorrir e imaginar
Que me faz sentir mulher, menina, criança amada, doce namorada,
a amante ideal...
Quero acordar...mas também quero viver sonhando, e continuo,
ainda sonho contigo,
Levanto e imagino que estas aqui, me observando, me chamando,
me desejando, assim como sou... e deito e me deleito em meu sonho, novamente, para voltar a sonhar, a criar, a imaginar, a fantasiar você e seus próximos passos de amor
E sonho
sonho
Com teu sorriso moleque,
com suas mãos macias a me acariciar,
com seu jeito másculo de homem
e a sua boca a sussurrar
desejos e fantasias a se experimentar...
Não quero despertar... mas desperto e fico o dia e a noite a te imaginar
a te fantasiar... não quero mais acordar
porque você já faz parte do meu respirar...
e assim passo os dias a te imaginar...
mas você não existe...
não existe pra me amar... você não existe...
mas mesmo assim fico a sonhar....
mas você não existe e por isso fico exultante em te imaginar....
e porque você não existe, não perco nada em sonhar...
Meu corpo ainda queima e tremula diante de uma cena de descrições e delicias em minha mente
Te procuro...
mas você não existe...
Ainda imagino os teus carinhos, teus beijos molhados, suas caricias ousadas ,seus jogos de sedução e a tua respiração ofegante... Mas você não existe, é fruto da minha fértil e liberta imaginação .... percebo a realidade... e exulto-me por você ser a mentira, a fantasia.
Estou só! E quero permanecer só! E a lembrança do seu olhar apaixonado me fascina...
Como não pensar em ti.... Como não dar vida a ti...
Que me faz viver nas nuvens
Que me fez sentir novamente o orvalho da manhã
E transformou minha vida num eterno sorrir e imaginar
Que me faz sentir mulher, menina, criança amada, doce namorada,
a amante ideal...
Quero acordar...mas também quero viver sonhando, e continuo,
ainda sonho contigo,
Levanto e imagino que estas aqui, me observando, me chamando,
me desejando, assim como sou... e deito e me deleito em meu sonho, novamente, para voltar a sonhar, a criar, a imaginar, a fantasiar você e seus próximos passos de amor
E sonho
sonho
Com teu sorriso moleque,
com suas mãos macias a me acariciar,
com seu jeito másculo de homem
e a sua boca a sussurrar
desejos e fantasias a se experimentar...
Não quero despertar... mas desperto e fico o dia e a noite a te imaginar
a te fantasiar... não quero mais acordar
porque você já faz parte do meu respirar...
e assim passo os dias a te imaginar...
mas você não existe...
não existe pra me amar... você não existe...
mas mesmo assim fico a sonhar....
mas você não existe e por isso fico exultante em te imaginar....
e porque você não existe, não perco nada em sonhar...
quinta-feira, 26 de agosto de 2010
Em que mundo Nós vivemos que se vive da MENTIRA.
É mentira o que se vende o que se compra, e o que se é. Tudo hoje é baseado em teorias e mentiras.
Nada mais é verdadeiro. Tudo é belo. Tudo é bom. Tudo é falso. Ao contrario do que as filosofias pregam o mundo vive da Mentira. Em todo lugar há um mentiroso mais forte, mais especial, mais esperto, mais qualificado, mais envolvente, mais capaz e mas muito mais mentiroso. Tudo nele é relacionado à mentira. Ele fala mentindo, ele gesticula mentindo, ele pensa mentindo pra si mesmo e para o próximo. Sua vida é uma bela Mentira. Seu eu é uma bela mentira. Uma mentira muito bem falsificada, muito bem planejada, muito bem conquistada, muito bem avaliada.
Presentemente o que mais ouvimos e vemos é que tal pessoa está crescendo profissionalmente, tal pessoa está bem empregado, tal pessoa está bem sucedida, tal pessoa está aumentando seu status adquirindo isso ou aquilo, tal pessoa está feliz com o seu crescimento econômico, com sua mudança de classe social, mas tudo isso é e não passa de uma mentira de marca maior e mais cara, uma aleivosia fiada. E não é muito difícil e nem muito raro de perceber que tudo se direciona, relaciona e finda em um único Eu. É a individualização ao extremo. O que o mundo hoje acredita, pensa e infelizmente está loucamente e ansiosamente buscando é uma individualização e bestialização tão profunda, tão amarga e segura e tão parasita que não os deixa perceber, sentir ou refletir. Tudo nos é cabido e possível. Tudo nos é permitido. Tudo nos é atribuído de forma simples e com imensos significados. Não mais somos crianças as quais são levadas pelas mãos, mas pior do que isso, nós somos idiotas levados pelos instintos, pelos desejos e pelos sonhos. Instintos, sonhos e desejos os quais sonhamos vivemos e possuímos sozinhos. Sozinhos sim, como indivíduos que bestializados perderam o sentido de ser, o sentido de ser humanitário, humanizado, humano.
Todos correm e vivem individualmente. Você tem que crescer. Você tem que evoluir. Você tem isso ou aquilo, mas e o outro ele também não tem que fazer tudo isso? Mas para que um faça tudo isso, não é necessário e útil que o outro o ajude, auxilie , o respeite e o apóie para que ele consiga o que quer, o que precisa, o que almeja. Não existe caminho percorrido só. Sempre há outro ou outra que caminha junto, mas caminha ao lado, às vezes na maioria das vezes, logo atrás para não intimidar, amedrontar ou irar quem vai à frente. É mas é como todos dizem: _ ... Os líderes sempre dão as costas aos seus liderados e neste mundo infelizmente a vida é assim. Há os lideres e há os infelizes dos liderados que sendo fracos, sensíveis e inseguros o bastante para serem lideres, ou pior não desejando ser líderes, se sujeitam a ser guiados, levados e muitas das vezes impregnados pelos mentirosos mais eivados, mais impassíveis e mais muito mais embusteiros.
É mentira o que se vende o que se compra, e o que se é. Tudo hoje é baseado em teorias e mentiras.
Nada mais é verdadeiro. Tudo é belo. Tudo é bom. Tudo é falso. Ao contrario do que as filosofias pregam o mundo vive da Mentira. Em todo lugar há um mentiroso mais forte, mais especial, mais esperto, mais qualificado, mais envolvente, mais capaz e mas muito mais mentiroso. Tudo nele é relacionado à mentira. Ele fala mentindo, ele gesticula mentindo, ele pensa mentindo pra si mesmo e para o próximo. Sua vida é uma bela Mentira. Seu eu é uma bela mentira. Uma mentira muito bem falsificada, muito bem planejada, muito bem conquistada, muito bem avaliada.
Presentemente o que mais ouvimos e vemos é que tal pessoa está crescendo profissionalmente, tal pessoa está bem empregado, tal pessoa está bem sucedida, tal pessoa está aumentando seu status adquirindo isso ou aquilo, tal pessoa está feliz com o seu crescimento econômico, com sua mudança de classe social, mas tudo isso é e não passa de uma mentira de marca maior e mais cara, uma aleivosia fiada. E não é muito difícil e nem muito raro de perceber que tudo se direciona, relaciona e finda em um único Eu. É a individualização ao extremo. O que o mundo hoje acredita, pensa e infelizmente está loucamente e ansiosamente buscando é uma individualização e bestialização tão profunda, tão amarga e segura e tão parasita que não os deixa perceber, sentir ou refletir. Tudo nos é cabido e possível. Tudo nos é permitido. Tudo nos é atribuído de forma simples e com imensos significados. Não mais somos crianças as quais são levadas pelas mãos, mas pior do que isso, nós somos idiotas levados pelos instintos, pelos desejos e pelos sonhos. Instintos, sonhos e desejos os quais sonhamos vivemos e possuímos sozinhos. Sozinhos sim, como indivíduos que bestializados perderam o sentido de ser, o sentido de ser humanitário, humanizado, humano.
Todos correm e vivem individualmente. Você tem que crescer. Você tem que evoluir. Você tem isso ou aquilo, mas e o outro ele também não tem que fazer tudo isso? Mas para que um faça tudo isso, não é necessário e útil que o outro o ajude, auxilie , o respeite e o apóie para que ele consiga o que quer, o que precisa, o que almeja. Não existe caminho percorrido só. Sempre há outro ou outra que caminha junto, mas caminha ao lado, às vezes na maioria das vezes, logo atrás para não intimidar, amedrontar ou irar quem vai à frente. É mas é como todos dizem: _ ... Os líderes sempre dão as costas aos seus liderados e neste mundo infelizmente a vida é assim. Há os lideres e há os infelizes dos liderados que sendo fracos, sensíveis e inseguros o bastante para serem lideres, ou pior não desejando ser líderes, se sujeitam a ser guiados, levados e muitas das vezes impregnados pelos mentirosos mais eivados, mais impassíveis e mais muito mais embusteiros.
segunda-feira, 9 de agosto de 2010
domingo, 21 de março de 2010
O Pierrot e a Frauvivian!!!
Há muito tempo aquela cidade era somente minha. Eu era o único ser imortal que perambulava pelas ruas e se deleitava com o sangue dos inocentes. Agora não mais. A cidade fora invadida por miseráveis desprovidos de moral, desprovidos de beleza e força. E eu acabara com todos eles. Um por um, pouco a pouco. Uns foram expostos ao sol, outros deixando todo o sangue escorrer de seus corpos até se parecerem com ameixas secas. E outros ainda eu entregara para os lobos, para assim quem sabe, garantir mais algumas longas noites sem confusão. E tudo ia muito bem. E eu tinha um Teatro sob o meu comando. Era nesse teatro que eu aliciava alguns humanos encantadores para me servir. E era lá que o verdadeiro monstro em mim se escondia, se furtava e as poucas lembranças de minha vida mortal se tornavam realidade.
Meu conforto era a Biblioteca Municipal. Lá eu ficava apenas analisando, observando as pessoas que passavam. Às vezes, chegava até a esbarrar em algumas de propósito, para que seu perfume doce ficasse em minhas vestes e eu pudesse me deliciar quando chegasse à minha casa.
Uma noite como noutra qualquer e eu a vi passar. Pelo cheiro não era humana. Queria ter certeza. Cheguei mais perto e passei por ela sem que ela chegasse a perceber. Entrei no beco e cheirei minha mão que havia roçado em seu vestido. Sim, ela era uma de nós.
Pelo andar firme e pelo modo como ela olhava para as pessoas e a cidade, provavelmente não era dali, estava apenas de passagem. Senti grande poder emanando dela. Poucas pessoas poderiam se igualar em poder a mim, até hoje como ela.
Eu tinha de conhecê-la, tinha de saber o que a fazia acordar todas as noites, e o que a fazia se deitar também. Queria saber de onde que vinha tamanha força. Não querendo parecer machista, mas nunca conhecera uma mulher com habilidades suficientes para chegar à minha altura.
Deveria considerá-la um perigo? Deveria me unir com o resto de vampiros da cidade para queimar seu esconderijo enquanto ela dormia? Certamente eu tinha muitos contatos, inclusive humanos, que fariam isso por mim por um mísero gole de meu sangue. Mas não. O Pierrot apaixonado que eu interpretava no teatro era a minha alma, Era o meu personagem mais perfeito e o que melhor representava toda a minha vida.
Eu não era um assassino. Digo não para quem não merecesse. E ela não merecia. Mas conhece-se o ditado, não é mesmo? Tudo o que é estranho deve-se ser ou conhecido ou destruído, logo, eu tinha de me aproximar dela. Mas como? Como fazê-lo sem parecer uma intimidação.
Só há um jeito. Atraindo-a para a biblioteca. Lugar calmo e aconchegante aquele. E eu ali conhecia cada canto e cada lugar de cada livro. Sim, lá eu me sentiria mais a vontade.
Comecei a segui-la para ver quais lugares freqüentava. Em alguns momentos, eu jurava que ela me via. Mas não. Alguém com o meu estilo, não chamavam muito a atenção, de uma vampira. Um Pierrot quase que passava despercebido por tudo e todos. Nunca sendo levada muito a sério, minha fantasia era uma alavanca para ganhar a confiança das presas e de alguns vampiros desinformados.
Logo que a noite caia e a lua se levantava, eu saia para caçar. Minha obsessão era tanta, que nem ao menos escolhia mais as minhas presas. Eu pulava de meu caixão e corria até a rua mais deserta, e me alimentava do primeiro ser sem sorte que passasse por ali. Homem, mulher, criança, deficiente, não importava. E na maioria das vezes ainda dava para espiar a saída de minha amada desconhecida de seu refúgio, que por sinal era muito bem requintado. Já havia conhecido seu interior. Uma noite, enquanto ela saia, eu entrei para espiar o que ela carregava consigo. Assustei-me ao ver que apesar de mulher, tinha mais livros que vestidos, mais quadros de pinturas pitorescas que sapatos. E mesmo assim, ainda conseguia me cativar com suas roupas pela noite.
Pois quando numa noite acordei mais cedo. Muito mais cedo que o normal. E como já era de costume pulara de meu caixão e corri até o seu refúgio. O mal tempo me confundiu. Ainda era tarde e alguns raios do por do sol começaram o seu último banho de calor na cidade. Desesperei-me. Com milhões de lugares para me servir de abrigo, eu não encontrei nenhum. Senti a minha roupa esquentar. Precisava correr, logo seria a minha pele.
Sentei-me perto de umas sacolas de lixo. Elas me protegiam da luz, que ficou ali pouco mais que quinze minutos. Sorte a minha, pois esses poderiam ser os quinze minutos mais rápidos de minha miserável vida.
O sangue em minhas veias havia evaporado. Fechei os olhos e rezei para que algum humano passasse antes de minha bela donzela. Eu sabia exatamente como eu ficava quando estava faminto.
A noite segura enfim. A porta se abre. E lá vem a bela mulher. Salto alto agulha e vestido longo. Vestido especial hoje à noite. Posso ver o sangue correr em suas veias como se sua pele fosse totalmente transparente. O meu coração começa a bater mais forte. Lágrimas de sangue escorrendo de meus olhos e borrando a maquiagem de palhaço gótico. Os dentes afiados arranham meus lábios inferiores. Era à hora, a hora da besta tomar conta de mim. Diria "seja o que Deus quiser" se não fosse tão irônico.
Senti como se minha mente fosse sendo sugada para o fundo de minha alma e uma nuvem vermelha e densa ocupasse o meu local de controle corporal. Senti os braços e pernas cavalgarem, literalmente, na direção da mulher.
Um rugido, um salto e um corpo.
Um bêbado passava pelo local. O modo como o meu corpo bateu no corpo dele chamou a atenção da minha linda donzela, que ficou a olhar para mim. Enfim revelado. Enfim havia mostrado a minha verdadeira natureza. E quão decadente cenário eu mostrava. Envergonhado de mim mesmo, voltei para perto dos lixos. Um coração ensangüentado em uma mão e um fígado em outra. Meu desejo pelo sangue e pela carne revelados assim de forma tão primitiva e violenta. O que ela acharia de mim? Ver-me-ia como um animal sem princípios ou discrição?
Gotas de sangue caiam em minha fantasia. Escorriam pelo meu queixo e pingavam em mim. Os batimentos foram cessando. A mancha de sangue aumentando. Ela me encarava fixamente enquanto eu voltava a ser eu mesmo.
Eu estava saindo naquela noite de um refúgio que não era o meu. Eu não gostava muito de lugares escuros e nada luxuosos. Mas havia a pouco tido um amante que curtia aquele buraco. Eu não suportava a idéia, mas às vezes o meu tédio me levava ali e também havia um vampiro que acreditava que ali era a minha casa. É eu pensava com um belo sorriso sarcástico, ao menos ali havia mais livros e obras primas e nada ali lembrava muito o mundo feminino. O mundo este que eu somente curtia na alcova. Adorava ser mulher e ter os meus amantes. Sim eu os tinha, mas sempre um por vez e aleatoriamente, quase nenhum se conhecia ou cobrava minha fidelidade. Odiava isso. Eu era livre e gostava de ser livre. Pois então naquela noite agradável resolvi sair andando pelas ruas, para avistar do alto de alguma estrada deserta as belas luzes noturnas. Afinal o que poderia acontecer comigo. Eu era uma vampira. Aos transeuntes desavisados eu não era mais que uma bela mulher selvagem como parecia. Sim eu era selvagem, natural, instintiva até. Estava caminhando pela rua próxima ao local anterior e uma coisa me chamou atenção. Era um ser escondido no meio dos potes de lixo. Pensei deve ser algum bêbado ou traste da sociedade que nada vale pra mim. Nem o seu sangue eu quero, quanto mais a sua mísera companhia. E então eu vi o ataque. Sim havia o bêbado, mas também havia o predador. E o predador era nada mais do que o meu imaginado sonhado bobo da corte, o meu Pierrot. Eu percebi o que ele fizera afinal eu era extremamente antiga e isso pra mim era como manchetes nos jornais. Mas eu não o queria vexá-lo, não eu não sabia o porquê de Ele estar agindo assim, caçando assim, e eu realmente estava muito interessada em conhecê-lo. Sim conhecê-lo, mas não ali. Não o humilhando com minha beleza e aristocracia de Chefe, de líder, e com o meu autocontrole diante de cena tão patética, mísera e de seres insignificantes mortos. Eu jamais me alimentara assim. Eu havia criado um modo de me alimentar desde o principio como um psicopata. Nem morder minha vitima superficialmente eu a mordia. Não era tola o bastante pra isso, eu cortava a pele profundamente com minhas unhas, que mais lembravam garras de tão finas e fortes, e daí somente ai eu mordia a carne e sentia o sangue morno em minha bela boca. E também não era sempre que fazia isso. Eu quase não precisava me alimentar. Não sentia fome. Deve ser porque poucos ali me serviam de comida. Sim até meu organismo vampiro era aristocrático, e ao invés de me envergonhar por isso, eu adorava isso em mim e era esse comportamento que fez com que conquistasse o respeito dos líderes, dos mais fortes e daqueles poucos que realmente me importavam. E sabendo disso passei reto rumo ao meu carro que deixara distante. Eu vivia não como uma vampira, mas sim e sempre como uma bela mulher rica e excêntrica. Sim não era como outros que fugiam ou dormiam em espeluncas e caixões. Preferia passar minha noite na minha belíssima e macia cama e de preferência bem acompanhada e já naquele maldito lugar eu já estava me cansando de ficar sozinha, sem um amante que preste.
Eu estava querendo muito ir à Biblioteca Municipal. Não porque eu gostava daquele luxo todo e milhares de prateleiras e livros novos e velhos em todos os lugares e aquele monte de seres hipnotizáveis desfilando pra lá e pra cá, naquele silêncio tumular. Eu ansiava, desejava ir lá porque lá possuía os melhores livros e os mais impossíveis de se encontrar, e eram esses exemplares que eu gostava de sentir em minhas mãos e ler uma ou outra frase para poder me sentar lindamente na poltrona como uma estátua e meditar. Meditar sobre o passado e o presente. Sim eu realmente na minha longa vida somente fazia isso.... O conhecimento era algo extremamente importante pra mim. Conhecimento esse que adquirira mais por vivência do que por leitura, mais por prazer do que por necessidade, mais pelo tempo do que pelo gosto. Sim eu era uma bela e poderosa mulher vampira que desde sempre vivera só, com alguns poucos amantes e que vivia em todos os lugares do mundo e não aceitava jamais casta, raça, estandarte ou bandeira do que quer que seja. Eu era a Suíça da raça Vampira. E todos sem exceção ao me conhecer me respeitava como tal. Eu não era uma Deusa, mas me aproximava muito, devido o meu ar misterioso, enigmático. Não gostava de ninguém. Não me envolvia sentimentalmente com ninguém. Não perdia meu tempo também para brigar, lutar com ninguém, os poucos que me desrespeitaram não viveram segundos pra contar. Sim eu era selvagem e aristocrática, extremamente aristocrática. Assim como minha beleza e minha volúpia. Eu era extremamente antiga, acreditava e sentia que o Criador, no caso Deus, deva ter me criado até mesmo em um espírito vampiro, e pra me castigar me jogou neste planeta de seres gostosos, porém decadentes. Adorava observar os homens e as mulheres fortes. Os fracos e débeis eu os ignorava.... E eu somente aceitava a Natureza tal qual ela era não me importando muito qual reino pertencia. Eu era imortal, eterna, e todos eles também o eram, pelo menos era isso que os livros espiritualistas reencarnacionistas antigos afirmavam. Então tanto pra mim, Frauvivian quanto pra Deus tudo era certo, tudo era bom e tudo era necessário e válido. E ambos não nos metíamos em nada. A não ser se fosse para me defender. E nisso eu era perigosa, extremamente, plausivelmente perigosa. E naquela tarde em especial eu resolvi me decidi rapidamente ir para a biblioteca, não por causa das páginas amarelas de um livro qualquer, mas sim pelo puro motivo que eu queria muito ver um alguém que ficava lá perdendo ou passando seu tempo como um Bobo da Corte divertindo ou penso eu observando aqueles desprezíveis humanos. Eu tinha certeza que Ele sempre me vigiava enquanto lia e outra tinha certeza absoluta que por trás daquele visual idiota havia um belo exemplar masculino e vampiro. Sim um vampiro. Há muito saia naquele maldito lugar com alguns humanos e quase sempre tudo terminava em sangue. Logicamente o deles. Além de serem péssimos amantes, os idiotas eram frágeis. E pra mim frágeis como cristais. E eu queria muito, demasiadamente descobrir se aquele palhaço era um Vampiro que valia eu perder o meu tempo. Se fosse até o parabenizar ia por tal disfarce. E hoje se ele se aproximasse de mim nem que fosse só para me observar a minha beleza excêntrica, eu iria descobrir se o que eu imaginava correspondia com a verdade. Isso nem que eu tivesse que colocar todos aqueles seres ínfimos e ignorantes pra correr, ou então melhor, poderia desmaiá-los com os meus poderes. Hoje eu conheceria pessoalmente o homem por trás da roupa e da maquiagem. Vesti um belo vestido vermelho e longo, balancei a bela cabeleira loiro-avermelhada e calcei um belo par de saltos altos. E estava linda e pronta e agora era só dirigir até lá e esperar, esperar o rato se aproximar da gata e Capt! A gata aqui ia pegar o rato pra brincar ou então quem sabe....
Desci do carro no estacionamento e entrei na Biblioteca com a mesma facilidade de sempre. O guarda – noturno me levou até minha sala e nem precisei dizer nada, somente entrei com meu jeito ímpar de ser e dei-lhe um belo sorriso. Ele se desmanchara em cortesias. Eu as neguei todas, eu somente queria ficar lá na minha sala. Nela somente havia uma bela poltrona e alguns livros que estavam ali propositalmente para minha consulta. O que um belo exemplar feminino fazia com os humanos, e o meu modelo vinha acompanhado da perfeição vampiresca. Entrei em minha sala e me sentei confortavelmente em minha poltrona com minhas pernas cruzadas, o vestido caído mostrando minhas coxas firmes e torneadas. Lembrei novamente do ataque ao bêbado de ontem à noite e fiquei pensando, o meu espécime é um modelo antigo, logo ele vai vir me ver durante a noite. Pensei vou chamá-lo mentalmente será que ele terá a intuição de perceber que eu o estou chamando. Eu o chamei mentalmente apelidando o com carinho de Meu Bobo da Corte. É com um chamado desse de todo jeito ele iria atender. Ou apaixonado ou irritado, mas iria atender prontamente. Fiquei ali por alguns instantes, lindamente estática, com meus olhos fechados, meditando, esperando quando percebi a aproximação do meu Pierrot. Sim meu e isso apenas era questão de segundos e ele seria todo meu ou meu amante ou minha vitima. Ele não estava irritado. Ele parecia envergonhado apenas. Eu nem me movi e disse com voz sensual: _ Boa noite nobre Pierrot. Não tenha medo eu não mordo. Venha até aqui e me dá a honra e o mérito de conhecer o homem – vampiro por baixo da maquiagem. Ele veio até mim e como eu não me movi nem um centímetro ele abaixou perto da minha poltrona e disse com sua voz rouca: _ A honra e o mérito são meu nobre senhorita. Eu me virei pra perto dele e levei minha bela mão ao seu rosto e usando o meu dedo indicador encostei o no seu nariz e disse com voz sensual: _ Tire a sua maquiagem, por favor. Isso é para os outros. Pra mim quero o vampiro, o homem, o ser másculo por baixo de toda essa fantasia. Não aqui é claro. Na minha humilde residência. Sorri ao dizer humilde. Nada em mim era humilde. Eu devia ser a personificação do orgulho e da vaidade. Ele consentiu com a cabeça. E rapidamente estávamos os dois em meu carro rumo a minha humilde residência. Entramos no condomínio fechado que ficava a minha residência. Descemos do carro e o guiei até meu belíssimo quarto. Conforme andávamos eu ia pensando que ele era ótimo, pois saíra melhor que a encomenda, ele quase não falava. Ou seja, não me irritava com tolices. Levei-o até o meu banheiro e disse com minha voz sensual: _ Agora tome banho e se vista decentemente pra um vampiro e lave seu rosto, pois eu o quero conhecer. Não como palhaço, mas sim o líder que sei que é e que vive por baixo desses trapos. Sai deixando o sozinho no banheiro, sua roupa já estava lá e ele somente tinha que tomar banho e vesti-la. Afinal eu não me envolvia com a escória, fosse qual raça pertencesse. E com ele isso não seria nada diferente.
Por VIVIAN SOUZA E YURI!
Meu conforto era a Biblioteca Municipal. Lá eu ficava apenas analisando, observando as pessoas que passavam. Às vezes, chegava até a esbarrar em algumas de propósito, para que seu perfume doce ficasse em minhas vestes e eu pudesse me deliciar quando chegasse à minha casa.
Uma noite como noutra qualquer e eu a vi passar. Pelo cheiro não era humana. Queria ter certeza. Cheguei mais perto e passei por ela sem que ela chegasse a perceber. Entrei no beco e cheirei minha mão que havia roçado em seu vestido. Sim, ela era uma de nós.
Pelo andar firme e pelo modo como ela olhava para as pessoas e a cidade, provavelmente não era dali, estava apenas de passagem. Senti grande poder emanando dela. Poucas pessoas poderiam se igualar em poder a mim, até hoje como ela.
Eu tinha de conhecê-la, tinha de saber o que a fazia acordar todas as noites, e o que a fazia se deitar também. Queria saber de onde que vinha tamanha força. Não querendo parecer machista, mas nunca conhecera uma mulher com habilidades suficientes para chegar à minha altura.
Deveria considerá-la um perigo? Deveria me unir com o resto de vampiros da cidade para queimar seu esconderijo enquanto ela dormia? Certamente eu tinha muitos contatos, inclusive humanos, que fariam isso por mim por um mísero gole de meu sangue. Mas não. O Pierrot apaixonado que eu interpretava no teatro era a minha alma, Era o meu personagem mais perfeito e o que melhor representava toda a minha vida.
Eu não era um assassino. Digo não para quem não merecesse. E ela não merecia. Mas conhece-se o ditado, não é mesmo? Tudo o que é estranho deve-se ser ou conhecido ou destruído, logo, eu tinha de me aproximar dela. Mas como? Como fazê-lo sem parecer uma intimidação.
Só há um jeito. Atraindo-a para a biblioteca. Lugar calmo e aconchegante aquele. E eu ali conhecia cada canto e cada lugar de cada livro. Sim, lá eu me sentiria mais a vontade.
Comecei a segui-la para ver quais lugares freqüentava. Em alguns momentos, eu jurava que ela me via. Mas não. Alguém com o meu estilo, não chamavam muito a atenção, de uma vampira. Um Pierrot quase que passava despercebido por tudo e todos. Nunca sendo levada muito a sério, minha fantasia era uma alavanca para ganhar a confiança das presas e de alguns vampiros desinformados.
Logo que a noite caia e a lua se levantava, eu saia para caçar. Minha obsessão era tanta, que nem ao menos escolhia mais as minhas presas. Eu pulava de meu caixão e corria até a rua mais deserta, e me alimentava do primeiro ser sem sorte que passasse por ali. Homem, mulher, criança, deficiente, não importava. E na maioria das vezes ainda dava para espiar a saída de minha amada desconhecida de seu refúgio, que por sinal era muito bem requintado. Já havia conhecido seu interior. Uma noite, enquanto ela saia, eu entrei para espiar o que ela carregava consigo. Assustei-me ao ver que apesar de mulher, tinha mais livros que vestidos, mais quadros de pinturas pitorescas que sapatos. E mesmo assim, ainda conseguia me cativar com suas roupas pela noite.
Pois quando numa noite acordei mais cedo. Muito mais cedo que o normal. E como já era de costume pulara de meu caixão e corri até o seu refúgio. O mal tempo me confundiu. Ainda era tarde e alguns raios do por do sol começaram o seu último banho de calor na cidade. Desesperei-me. Com milhões de lugares para me servir de abrigo, eu não encontrei nenhum. Senti a minha roupa esquentar. Precisava correr, logo seria a minha pele.
Sentei-me perto de umas sacolas de lixo. Elas me protegiam da luz, que ficou ali pouco mais que quinze minutos. Sorte a minha, pois esses poderiam ser os quinze minutos mais rápidos de minha miserável vida.
O sangue em minhas veias havia evaporado. Fechei os olhos e rezei para que algum humano passasse antes de minha bela donzela. Eu sabia exatamente como eu ficava quando estava faminto.
A noite segura enfim. A porta se abre. E lá vem a bela mulher. Salto alto agulha e vestido longo. Vestido especial hoje à noite. Posso ver o sangue correr em suas veias como se sua pele fosse totalmente transparente. O meu coração começa a bater mais forte. Lágrimas de sangue escorrendo de meus olhos e borrando a maquiagem de palhaço gótico. Os dentes afiados arranham meus lábios inferiores. Era à hora, a hora da besta tomar conta de mim. Diria "seja o que Deus quiser" se não fosse tão irônico.
Senti como se minha mente fosse sendo sugada para o fundo de minha alma e uma nuvem vermelha e densa ocupasse o meu local de controle corporal. Senti os braços e pernas cavalgarem, literalmente, na direção da mulher.
Um rugido, um salto e um corpo.
Um bêbado passava pelo local. O modo como o meu corpo bateu no corpo dele chamou a atenção da minha linda donzela, que ficou a olhar para mim. Enfim revelado. Enfim havia mostrado a minha verdadeira natureza. E quão decadente cenário eu mostrava. Envergonhado de mim mesmo, voltei para perto dos lixos. Um coração ensangüentado em uma mão e um fígado em outra. Meu desejo pelo sangue e pela carne revelados assim de forma tão primitiva e violenta. O que ela acharia de mim? Ver-me-ia como um animal sem princípios ou discrição?
Gotas de sangue caiam em minha fantasia. Escorriam pelo meu queixo e pingavam em mim. Os batimentos foram cessando. A mancha de sangue aumentando. Ela me encarava fixamente enquanto eu voltava a ser eu mesmo.
Eu estava saindo naquela noite de um refúgio que não era o meu. Eu não gostava muito de lugares escuros e nada luxuosos. Mas havia a pouco tido um amante que curtia aquele buraco. Eu não suportava a idéia, mas às vezes o meu tédio me levava ali e também havia um vampiro que acreditava que ali era a minha casa. É eu pensava com um belo sorriso sarcástico, ao menos ali havia mais livros e obras primas e nada ali lembrava muito o mundo feminino. O mundo este que eu somente curtia na alcova. Adorava ser mulher e ter os meus amantes. Sim eu os tinha, mas sempre um por vez e aleatoriamente, quase nenhum se conhecia ou cobrava minha fidelidade. Odiava isso. Eu era livre e gostava de ser livre. Pois então naquela noite agradável resolvi sair andando pelas ruas, para avistar do alto de alguma estrada deserta as belas luzes noturnas. Afinal o que poderia acontecer comigo. Eu era uma vampira. Aos transeuntes desavisados eu não era mais que uma bela mulher selvagem como parecia. Sim eu era selvagem, natural, instintiva até. Estava caminhando pela rua próxima ao local anterior e uma coisa me chamou atenção. Era um ser escondido no meio dos potes de lixo. Pensei deve ser algum bêbado ou traste da sociedade que nada vale pra mim. Nem o seu sangue eu quero, quanto mais a sua mísera companhia. E então eu vi o ataque. Sim havia o bêbado, mas também havia o predador. E o predador era nada mais do que o meu imaginado sonhado bobo da corte, o meu Pierrot. Eu percebi o que ele fizera afinal eu era extremamente antiga e isso pra mim era como manchetes nos jornais. Mas eu não o queria vexá-lo, não eu não sabia o porquê de Ele estar agindo assim, caçando assim, e eu realmente estava muito interessada em conhecê-lo. Sim conhecê-lo, mas não ali. Não o humilhando com minha beleza e aristocracia de Chefe, de líder, e com o meu autocontrole diante de cena tão patética, mísera e de seres insignificantes mortos. Eu jamais me alimentara assim. Eu havia criado um modo de me alimentar desde o principio como um psicopata. Nem morder minha vitima superficialmente eu a mordia. Não era tola o bastante pra isso, eu cortava a pele profundamente com minhas unhas, que mais lembravam garras de tão finas e fortes, e daí somente ai eu mordia a carne e sentia o sangue morno em minha bela boca. E também não era sempre que fazia isso. Eu quase não precisava me alimentar. Não sentia fome. Deve ser porque poucos ali me serviam de comida. Sim até meu organismo vampiro era aristocrático, e ao invés de me envergonhar por isso, eu adorava isso em mim e era esse comportamento que fez com que conquistasse o respeito dos líderes, dos mais fortes e daqueles poucos que realmente me importavam. E sabendo disso passei reto rumo ao meu carro que deixara distante. Eu vivia não como uma vampira, mas sim e sempre como uma bela mulher rica e excêntrica. Sim não era como outros que fugiam ou dormiam em espeluncas e caixões. Preferia passar minha noite na minha belíssima e macia cama e de preferência bem acompanhada e já naquele maldito lugar eu já estava me cansando de ficar sozinha, sem um amante que preste.
Eu estava querendo muito ir à Biblioteca Municipal. Não porque eu gostava daquele luxo todo e milhares de prateleiras e livros novos e velhos em todos os lugares e aquele monte de seres hipnotizáveis desfilando pra lá e pra cá, naquele silêncio tumular. Eu ansiava, desejava ir lá porque lá possuía os melhores livros e os mais impossíveis de se encontrar, e eram esses exemplares que eu gostava de sentir em minhas mãos e ler uma ou outra frase para poder me sentar lindamente na poltrona como uma estátua e meditar. Meditar sobre o passado e o presente. Sim eu realmente na minha longa vida somente fazia isso.... O conhecimento era algo extremamente importante pra mim. Conhecimento esse que adquirira mais por vivência do que por leitura, mais por prazer do que por necessidade, mais pelo tempo do que pelo gosto. Sim eu era uma bela e poderosa mulher vampira que desde sempre vivera só, com alguns poucos amantes e que vivia em todos os lugares do mundo e não aceitava jamais casta, raça, estandarte ou bandeira do que quer que seja. Eu era a Suíça da raça Vampira. E todos sem exceção ao me conhecer me respeitava como tal. Eu não era uma Deusa, mas me aproximava muito, devido o meu ar misterioso, enigmático. Não gostava de ninguém. Não me envolvia sentimentalmente com ninguém. Não perdia meu tempo também para brigar, lutar com ninguém, os poucos que me desrespeitaram não viveram segundos pra contar. Sim eu era selvagem e aristocrática, extremamente aristocrática. Assim como minha beleza e minha volúpia. Eu era extremamente antiga, acreditava e sentia que o Criador, no caso Deus, deva ter me criado até mesmo em um espírito vampiro, e pra me castigar me jogou neste planeta de seres gostosos, porém decadentes. Adorava observar os homens e as mulheres fortes. Os fracos e débeis eu os ignorava.... E eu somente aceitava a Natureza tal qual ela era não me importando muito qual reino pertencia. Eu era imortal, eterna, e todos eles também o eram, pelo menos era isso que os livros espiritualistas reencarnacionistas antigos afirmavam. Então tanto pra mim, Frauvivian quanto pra Deus tudo era certo, tudo era bom e tudo era necessário e válido. E ambos não nos metíamos em nada. A não ser se fosse para me defender. E nisso eu era perigosa, extremamente, plausivelmente perigosa. E naquela tarde em especial eu resolvi me decidi rapidamente ir para a biblioteca, não por causa das páginas amarelas de um livro qualquer, mas sim pelo puro motivo que eu queria muito ver um alguém que ficava lá perdendo ou passando seu tempo como um Bobo da Corte divertindo ou penso eu observando aqueles desprezíveis humanos. Eu tinha certeza que Ele sempre me vigiava enquanto lia e outra tinha certeza absoluta que por trás daquele visual idiota havia um belo exemplar masculino e vampiro. Sim um vampiro. Há muito saia naquele maldito lugar com alguns humanos e quase sempre tudo terminava em sangue. Logicamente o deles. Além de serem péssimos amantes, os idiotas eram frágeis. E pra mim frágeis como cristais. E eu queria muito, demasiadamente descobrir se aquele palhaço era um Vampiro que valia eu perder o meu tempo. Se fosse até o parabenizar ia por tal disfarce. E hoje se ele se aproximasse de mim nem que fosse só para me observar a minha beleza excêntrica, eu iria descobrir se o que eu imaginava correspondia com a verdade. Isso nem que eu tivesse que colocar todos aqueles seres ínfimos e ignorantes pra correr, ou então melhor, poderia desmaiá-los com os meus poderes. Hoje eu conheceria pessoalmente o homem por trás da roupa e da maquiagem. Vesti um belo vestido vermelho e longo, balancei a bela cabeleira loiro-avermelhada e calcei um belo par de saltos altos. E estava linda e pronta e agora era só dirigir até lá e esperar, esperar o rato se aproximar da gata e Capt! A gata aqui ia pegar o rato pra brincar ou então quem sabe....
Desci do carro no estacionamento e entrei na Biblioteca com a mesma facilidade de sempre. O guarda – noturno me levou até minha sala e nem precisei dizer nada, somente entrei com meu jeito ímpar de ser e dei-lhe um belo sorriso. Ele se desmanchara em cortesias. Eu as neguei todas, eu somente queria ficar lá na minha sala. Nela somente havia uma bela poltrona e alguns livros que estavam ali propositalmente para minha consulta. O que um belo exemplar feminino fazia com os humanos, e o meu modelo vinha acompanhado da perfeição vampiresca. Entrei em minha sala e me sentei confortavelmente em minha poltrona com minhas pernas cruzadas, o vestido caído mostrando minhas coxas firmes e torneadas. Lembrei novamente do ataque ao bêbado de ontem à noite e fiquei pensando, o meu espécime é um modelo antigo, logo ele vai vir me ver durante a noite. Pensei vou chamá-lo mentalmente será que ele terá a intuição de perceber que eu o estou chamando. Eu o chamei mentalmente apelidando o com carinho de Meu Bobo da Corte. É com um chamado desse de todo jeito ele iria atender. Ou apaixonado ou irritado, mas iria atender prontamente. Fiquei ali por alguns instantes, lindamente estática, com meus olhos fechados, meditando, esperando quando percebi a aproximação do meu Pierrot. Sim meu e isso apenas era questão de segundos e ele seria todo meu ou meu amante ou minha vitima. Ele não estava irritado. Ele parecia envergonhado apenas. Eu nem me movi e disse com voz sensual: _ Boa noite nobre Pierrot. Não tenha medo eu não mordo. Venha até aqui e me dá a honra e o mérito de conhecer o homem – vampiro por baixo da maquiagem. Ele veio até mim e como eu não me movi nem um centímetro ele abaixou perto da minha poltrona e disse com sua voz rouca: _ A honra e o mérito são meu nobre senhorita. Eu me virei pra perto dele e levei minha bela mão ao seu rosto e usando o meu dedo indicador encostei o no seu nariz e disse com voz sensual: _ Tire a sua maquiagem, por favor. Isso é para os outros. Pra mim quero o vampiro, o homem, o ser másculo por baixo de toda essa fantasia. Não aqui é claro. Na minha humilde residência. Sorri ao dizer humilde. Nada em mim era humilde. Eu devia ser a personificação do orgulho e da vaidade. Ele consentiu com a cabeça. E rapidamente estávamos os dois em meu carro rumo a minha humilde residência. Entramos no condomínio fechado que ficava a minha residência. Descemos do carro e o guiei até meu belíssimo quarto. Conforme andávamos eu ia pensando que ele era ótimo, pois saíra melhor que a encomenda, ele quase não falava. Ou seja, não me irritava com tolices. Levei-o até o meu banheiro e disse com minha voz sensual: _ Agora tome banho e se vista decentemente pra um vampiro e lave seu rosto, pois eu o quero conhecer. Não como palhaço, mas sim o líder que sei que é e que vive por baixo desses trapos. Sai deixando o sozinho no banheiro, sua roupa já estava lá e ele somente tinha que tomar banho e vesti-la. Afinal eu não me envolvia com a escória, fosse qual raça pertencesse. E com ele isso não seria nada diferente.
Por VIVIAN SOUZA E YURI!
sexta-feira, 19 de março de 2010
Lá vai p/ quem gosta a 3 parte de um conto que terá 3 partes Penso Eu... Não ligue para as pessoas, sou eu mesma nos dois papéis...;)
Terceira – Parte
Até que... Não mais nos separe.
E eu, o Senhor Perfeito, estava ali abraçando finalmente o corpo do ser amado. Dando o meu primeiro beijo depois de tanto tempo. E aquele era igual a todos os outros primeiros beijos, a única coisa que mudava era o local. A sensação, o meu desejo e a minha satisfação eram sempre as mesmas. E tal sentimento em meu corpo funcionava como um remédio, uma droga, que em tempos em tempos, eu o Senhor Perfeito tinha que tomar em doses cavalares como bem posso assim definir já que imenso, enorme, grandioso era o meu prazer e a minha alegria.
Eu a beijava e abraçava com sofreguidão e ela como sempre me correspondia. Correspondia ao meu beijo, ao meu desejo, ao meu amor. O nosso primeiro beijo foi longo o bastante para fica gravado, marcado em meu corpo, por toda a minha eternidade, a minha imortalidade.
Nós nos olhamos demoradamente um para outro, ela a minha amada fascinada por minha beleza e condição, e eu encantado, agraciado e agradecido por finalmente Deus aceitar novamente que eu entrasse mais uma vez na sua vida e que desse momento em diante eu pudesse amá-la, adorá-la ou quem sabe.....
Ela acariciou meu rosto e suas mãos macias e quentes tremulavam ao me tocar. Sentamos ali no chão, um perto do outro e nos abraçamos. Nossas cabeças ficaram por um bom tempo encostadas um no ombro do outro. Ah! Como era dadivoso poder senti-la novamente. Quanto sofrimento, desespero, angústia e dor por esperá-la por tantos anos.
Novamente eu era e me sentia inteiro. O monstro agora daria lugar ao cavalheiro. Novamente eu me sentia completo e equilibrado. Não mais sentia que faltava algo. Eu estava novamente reconstituído. E agora pra mim era só felicidade ou .. infelicidade... Isso eu não podia prever... Agora somente Deus é quem sabia por quanto tempo..... E a imensa alegria que estava sentindo deu espaço a uma leve melancolia e tive medo de perdê-la.
Ficamos um bom tempo abraçados e em silêncio. Sim, em silêncio, pois palavra nenhuma poderia expressar o que eu estava sentindo. Para isso acontecer teria que acontecer o mesmo que acontecia comigo com outro, e eu em todo esse tempo, somente conhecia um desgraçado, um amaldiçoado, um infeliz, e esse era eu, justamente o Senhor Perfeito. O mais belo, o mais charmoso e o melhor líder, e em épocas e épocas o mais violento, o mais duro, o mais cruel.
Era eu que tivera a má sorte de me apaixonar por um anjo terreno e com essa paixão imorredoura, eu me tornei um amaldiçoado, um desgraçado na vida, se é que isso pode ser vida, e em tempos em tempos eu perdia o meu único amor pra Deus, pra Morte e isso iria acontecer até que....
Mas eu não queria pensar nisso, não, não mais. Eu somente queria ficar junto dela, abraçado, agarrado ao seu corpo, sentindo o seu cheiro e ouvindo o seu coração e sangue pulsar. Ah! Como isso era bom. Não havia mais nada que me desse tanto prazer e nada que me acalmava tanto.
Tudo agora me parecia perfeito. Eu estava com minha amada ali abraçada a mim, e eu podia me declarar, beijar e sentir e doar todo o meu amor há tanto tempo guardado, escondido, trancado. Mas como sempre existe algo pra estragar....
E então ouço vozes de outros vampiros, que se aproximavam rapidamente da casa. Um grupo estava se aproximando e não sei quais idiotas estavam pensando em atacar a casa. Raciocinei não mais como homem apaixonado, mas sim como líder que era e amaldiçoando e xingando em minha mente e prometendo lhes castigo, os vampiros burros e tolos o bastante para querer atacar seres humanos e pior, o que mais me irritara, me tirara a atenção do ser amado, fora eles não sentirem a minha presença, fiquei tão irritado que eu já estava prestes a me tornar o que realmente era, um monstro, um predador e o pior de todos eles. Foi sentir novamente as mãos de minha amada apertarem minha cintura e ouvir sua voz doce dizer algumas poucas palavras de amor, que me fez ficar mais calmo e parar o meu aborrecimento e reiterar o meu pensamento e com a continuada aproximação do grupo só pude então decifrar a intenção de que eles estavam vindo atrás de mim.
Eu levantei em busca da janela super rapido e já estava quase fora quando me dei por conta de que a minha querida era humana, apenas e nada mais que uma mulher humana. Eu me virei e a olhei e lá estava ela com seus braços ainda caídos ao lado do corpo e sua fisionomia assustada por minha rapidez. Ela recobrou os seus sentidos e com sua voz amável disse olhando para a janela atrás de mim: _ Perdão meu querido.
Agora fora eu que fiquei estático. Eu que devia pedir perdão. Eu era o monstro. Era eu que devia mil desculpas por não ser humano. E voltando pra ela, beijei-a e peguei- a no colo e saí em busca do maldito ou bendito grupo, não sabia ao certo. Ser vampiro era ótimo pra isso, carregávamos nossas amadas como se carrega brinquedos. Encontrei o bando em segundos.
Foi o líder do bando quem primeiro me cumprimentou:
_ Boa Noite Chefe.
Reconheci aquela voz feminina na hora. Era Desirree, a minha belissima Amante!
Eu coloquei minha amada no chão logo atrás de mim e disse alto ainda olhando pra minha querida: _ Desirree eu estou ótimo, feliz e agora quero que vocês vão embora. Sumam daqui. Senão vocês já sabem o que os esperam. Alguns nem terminaram de ouvir e foram imediatamente embora. Outros tolos e apaixonados por Desirree ficaram.
Eu então percebendo que como eu -eles fariam tudo por ela- continuei meu pequeno discurso: _ Desirree por respeito ao que já passamos juntos; à minha futura mulher e a minha felicidade e também em gratidão de você ter sido e ser importante pra mim, eu não vou fazer nada com nenhum de vocês. Mas agora vão. Deixem-me a sós agora.
Desirree não aceitou minhas palavras e perguntou com voz de zombaria: _ Então Chefe é esse ser Patético atrás de você que é a sua amada??? A sua amada imortal??? É Chefe vejo que precisas ou de óculos ou então um bom exame de cabeça. Ela nem lembra uma mulher quanto mais uma vampira. É por esse ser ínfimo que você sofre e sofreu tanto???
Percebi que a minha amada observou Desirree dos pés a cabeça e ficou boquiaberta assustada. Lógico se não ficasse seria um milagre. Desirree era uma ruiva Belíssima, selvagem, natural e se eu não fosse Louco por minha mulher, Ela poderia muito bem ser a minha mulher, a minha companheira e minha Rainha. Mas o caso não era esse... A minha mulher era muito mais bela que Desirree. E eu sabia perfeitamente disso como sabia, pois milhões e milhoes de vezes eu rezei, implorei pro Maldito Criador mandar, reencarnar a minha amada feia, quem sabe assim teria uma chance... Mas não Deus a reencarnava, a enviava cada vez mais bela, mais feminina e mais atrativa. Tudo nela fascinava os homens. E eu como ninguém conhecera ela em todas essas benditas vidas e eu somente eu podia dizer como ninguém o quanto a minha mulher era especial. O quanto ela havia evoluído como ser espiritual e pessoa. Sim ela era muito especial, por isso Deus sempre a tirava de mim. À minha mulher somente faltava uma coisa, uma condição, uma ... E essa era a minha esperança.
_ Desirree vá conversamos outra hora.
_ Chefe, Venha. Volte comigo. Eu vim te buscar. Volte pra mim, para o seu reino, para o seu povo.
_ Desirree você não vai me tirar do sério na frente da minha mulher. Não vou assustá-la. Não quero isso jamais.
E a bela ruiva não gostou nem um pouco da minha performance de homem apaixonado e se aproximando rápido disse com sua voz amável: _ E se eu a matar, Chefe??
Ao ouvir tais palavras eu a ataquei e peguei a minha bela ruiva, pelo pescoço e a suspendi no ar. Eu olhei a linda mulher em minha mão,e pensei seria tão fácil destruí-la e então lembrei de que a minha mulher, a minha querida estava vendo tal cena. Eu me virei e olhei para o rosto de minha amada e os seus olhos voltaram a lacrimejar. Eu fiquei atordoado com tal sofrimento e soltei Desirree e deslizei para abraçar a minha amada. Não eu não queria o seu sofrimento. Eu abracei-a e disse que eu não iria fazer nada demais e que Desirree apenas estava com ciúmes, por eu ter escolhido você e não ela, a rainha da beleza e selvageria.
Ela enxugou seus olhos em minha camisa e me abraçou e pela primeira vez em tanto tempo ela disse com sua voz triste: _ È porque eu não sou uma vampira como você e ela são.
Respondi afirmativamente com a cabeça e com minha mão segurando o seu queixo eu levantei sua cabeça e a beijei novamente.
E ao terminar de beijá-la e me afastar sorrindo ela disse também pela primeira vez em tanto tempo com sua voz firme, decidida: _ Eu posso ser, não posso???
Eu não acreditei no que eu ouvi. Depois de tanta e tanta dor, tanto sofrimento meu e das vitimas, depois de tantos e tantos anos, eu estava ali diante do que eu mais queria e ouvindo também o que até ali mais havia doído por todo esse tempo. Ela estava ali querendo a mesma condição que eu nascera. Deus, Diabos era isso. Eu sempre e somente precisei de outra mulher, de outra concorrente para o meu pobre coração de ser estúpido e apaixonado, e então num passe de mágica e ciúmes, eu ganharia a dádiva e a permissão de minha escolhida, de minha amada.
Mas espere pensei ela ainda não escolheu e meu sorriso ficou triste novamente e com minha costumeira voz de angústia perguntei: _ Terias minha amada coragem e disposição de ser como eu sou??? Quer realmente ser, se tornar uma vampira, um ser imortal e como dizem amaldiçoado desgraçado na vida ou na morte, sei lá eu???
Eu não podia ter a resposta ainda, eu não a queria ainda, não estava pronto, e então como apaixonado, enamorado que era por ela apenas a beijei e beijei e por mim ficaria ali sempre e grudado a sua boca, sua bela e carnuda boca. Ao menos enquanto eu a beijava e a abraçava eu podia manter as minhas esperanças acesas...
Mas eu não podia ficar ali somente a beijando por mais que eu quisesse, e então eu terminei o meu beijo já perguntando se ela queria conhecer primeiro o meu mundo, e como era natural a se pensar ela perguntou e as crianças?
E eu ingenuamente: _ Deixemos - as dormindo.
Ela ficou uma fera na hora, se afastou de mim e saiu sozinha em direção a velha casa.
Eu fiquei ali sozinho pensando com raiva de mim mesmo, eu devo ser um idiota. Homem apaixonado só diz e faz besteira mesmo e eu também devo ser o líder desta categoria. Categoria dos tolos apaixonados. E recobrando meus sentidos deslizei e peguei- a pela cintura e disse com minha voz rouca: _ Levemos as crianças, minha querida.
Ela olhou pra mim e disse com sua voz baixairritada: _ Como?? E eu com o jeito mais tranqüilo que pude e voz jovial respondi: _ De carro ora essa. Levemos para a sua família e depois você minha querida vem comigo. E olhando em seus olhos disse com um belo sorriso sensual e voz rouca, e a abraçando por trás de propósito: _ Você aceita ficar comigo?? Vir comigo?? Ser a minha mulher, minha única mulher??
Ela olhou para o meu rosto, fascinada, hipnotizada por tais palavras e por minha sensualidade e eu sorrindo maliciosamente, pois adorava isso em ser vampiro, ela então balançou sua cabeça afirmativamente, quase desfalecendo sem ar.
Ela se virou e me abraçou e sua cabeça ficou encostada em meu peito másculo. Ah! Como essa sensação era boa, era ótima, era gratificante até senti-la. Voltamos pra casa, colocamos as duas crianças no carro e saímos em direção à casa de seus pais. A minha querida já era adulta e não precisava mais ficar dando satisfações da sua vida, e isso era ótimo pra mim, porque de agora em diante, daquela noite em diante, ela seria minha e quem sabe...
Tudo correu como pensávamos e queríamos. Ninguém perguntou ou quis saber de nada. Ótimo pra mim. Bom pra minha mulher. Saímos a pé. Sem nada. Um abraçado ao outro. Juntos. Entramos em uma estrada deserta e eu a peguei no colo e em pouquíssimo tempo, eu estava em minha fortaleza, meu palácio, em meu trono com a tão sonhada, desejada mulher sentada no meu colo. E ela somente tinha olhos pra mim e nada mais. Ela nem mais se assustava. E eu estava ali sentado no lugar de direito com a minha amada imortal no colo, sentindo seu corpo, seu gosto, seu desejo.
E eu era novamente o Senhor Perfeito com sua Amada imortal esperando a tão sonhada resposta. E fui eu que não me esquecendo disso, sussurrei em seu ouvido e disse sei lá por quantas vezes já o fizera, já tinha a muito perdido as contas.
_ Eu a amo minha amada imortal.
E ela embevecida por tais palavras disse a mim com sua voz amável enfatizando todas as letras: _ E eu o amo meu amado imortal. E sim eu quero ser e viver com você sempre, pra sempre e Me Faça a Sua Mulher, sua Vampira, Sua Rainha.
E eu agradecendo mentalmente a Deus o meu presente, eu a beijei no pescoço e a mordi. Sim a mordi e assim finalmente a fiz Minha mulher, Minha Vampira e Minha Amada agora Imortal.
Por VIVIAN SOUZA.
Até que... Não mais nos separe.
E eu, o Senhor Perfeito, estava ali abraçando finalmente o corpo do ser amado. Dando o meu primeiro beijo depois de tanto tempo. E aquele era igual a todos os outros primeiros beijos, a única coisa que mudava era o local. A sensação, o meu desejo e a minha satisfação eram sempre as mesmas. E tal sentimento em meu corpo funcionava como um remédio, uma droga, que em tempos em tempos, eu o Senhor Perfeito tinha que tomar em doses cavalares como bem posso assim definir já que imenso, enorme, grandioso era o meu prazer e a minha alegria.
Eu a beijava e abraçava com sofreguidão e ela como sempre me correspondia. Correspondia ao meu beijo, ao meu desejo, ao meu amor. O nosso primeiro beijo foi longo o bastante para fica gravado, marcado em meu corpo, por toda a minha eternidade, a minha imortalidade.
Nós nos olhamos demoradamente um para outro, ela a minha amada fascinada por minha beleza e condição, e eu encantado, agraciado e agradecido por finalmente Deus aceitar novamente que eu entrasse mais uma vez na sua vida e que desse momento em diante eu pudesse amá-la, adorá-la ou quem sabe.....
Ela acariciou meu rosto e suas mãos macias e quentes tremulavam ao me tocar. Sentamos ali no chão, um perto do outro e nos abraçamos. Nossas cabeças ficaram por um bom tempo encostadas um no ombro do outro. Ah! Como era dadivoso poder senti-la novamente. Quanto sofrimento, desespero, angústia e dor por esperá-la por tantos anos.
Novamente eu era e me sentia inteiro. O monstro agora daria lugar ao cavalheiro. Novamente eu me sentia completo e equilibrado. Não mais sentia que faltava algo. Eu estava novamente reconstituído. E agora pra mim era só felicidade ou .. infelicidade... Isso eu não podia prever... Agora somente Deus é quem sabia por quanto tempo..... E a imensa alegria que estava sentindo deu espaço a uma leve melancolia e tive medo de perdê-la.
Ficamos um bom tempo abraçados e em silêncio. Sim, em silêncio, pois palavra nenhuma poderia expressar o que eu estava sentindo. Para isso acontecer teria que acontecer o mesmo que acontecia comigo com outro, e eu em todo esse tempo, somente conhecia um desgraçado, um amaldiçoado, um infeliz, e esse era eu, justamente o Senhor Perfeito. O mais belo, o mais charmoso e o melhor líder, e em épocas e épocas o mais violento, o mais duro, o mais cruel.
Era eu que tivera a má sorte de me apaixonar por um anjo terreno e com essa paixão imorredoura, eu me tornei um amaldiçoado, um desgraçado na vida, se é que isso pode ser vida, e em tempos em tempos eu perdia o meu único amor pra Deus, pra Morte e isso iria acontecer até que....
Mas eu não queria pensar nisso, não, não mais. Eu somente queria ficar junto dela, abraçado, agarrado ao seu corpo, sentindo o seu cheiro e ouvindo o seu coração e sangue pulsar. Ah! Como isso era bom. Não havia mais nada que me desse tanto prazer e nada que me acalmava tanto.
Tudo agora me parecia perfeito. Eu estava com minha amada ali abraçada a mim, e eu podia me declarar, beijar e sentir e doar todo o meu amor há tanto tempo guardado, escondido, trancado. Mas como sempre existe algo pra estragar....
E então ouço vozes de outros vampiros, que se aproximavam rapidamente da casa. Um grupo estava se aproximando e não sei quais idiotas estavam pensando em atacar a casa. Raciocinei não mais como homem apaixonado, mas sim como líder que era e amaldiçoando e xingando em minha mente e prometendo lhes castigo, os vampiros burros e tolos o bastante para querer atacar seres humanos e pior, o que mais me irritara, me tirara a atenção do ser amado, fora eles não sentirem a minha presença, fiquei tão irritado que eu já estava prestes a me tornar o que realmente era, um monstro, um predador e o pior de todos eles. Foi sentir novamente as mãos de minha amada apertarem minha cintura e ouvir sua voz doce dizer algumas poucas palavras de amor, que me fez ficar mais calmo e parar o meu aborrecimento e reiterar o meu pensamento e com a continuada aproximação do grupo só pude então decifrar a intenção de que eles estavam vindo atrás de mim.
Eu levantei em busca da janela super rapido e já estava quase fora quando me dei por conta de que a minha querida era humana, apenas e nada mais que uma mulher humana. Eu me virei e a olhei e lá estava ela com seus braços ainda caídos ao lado do corpo e sua fisionomia assustada por minha rapidez. Ela recobrou os seus sentidos e com sua voz amável disse olhando para a janela atrás de mim: _ Perdão meu querido.
Agora fora eu que fiquei estático. Eu que devia pedir perdão. Eu era o monstro. Era eu que devia mil desculpas por não ser humano. E voltando pra ela, beijei-a e peguei- a no colo e saí em busca do maldito ou bendito grupo, não sabia ao certo. Ser vampiro era ótimo pra isso, carregávamos nossas amadas como se carrega brinquedos. Encontrei o bando em segundos.
Foi o líder do bando quem primeiro me cumprimentou:
_ Boa Noite Chefe.
Reconheci aquela voz feminina na hora. Era Desirree, a minha belissima Amante!
Eu coloquei minha amada no chão logo atrás de mim e disse alto ainda olhando pra minha querida: _ Desirree eu estou ótimo, feliz e agora quero que vocês vão embora. Sumam daqui. Senão vocês já sabem o que os esperam. Alguns nem terminaram de ouvir e foram imediatamente embora. Outros tolos e apaixonados por Desirree ficaram.
Eu então percebendo que como eu -eles fariam tudo por ela- continuei meu pequeno discurso: _ Desirree por respeito ao que já passamos juntos; à minha futura mulher e a minha felicidade e também em gratidão de você ter sido e ser importante pra mim, eu não vou fazer nada com nenhum de vocês. Mas agora vão. Deixem-me a sós agora.
Desirree não aceitou minhas palavras e perguntou com voz de zombaria: _ Então Chefe é esse ser Patético atrás de você que é a sua amada??? A sua amada imortal??? É Chefe vejo que precisas ou de óculos ou então um bom exame de cabeça. Ela nem lembra uma mulher quanto mais uma vampira. É por esse ser ínfimo que você sofre e sofreu tanto???
Percebi que a minha amada observou Desirree dos pés a cabeça e ficou boquiaberta assustada. Lógico se não ficasse seria um milagre. Desirree era uma ruiva Belíssima, selvagem, natural e se eu não fosse Louco por minha mulher, Ela poderia muito bem ser a minha mulher, a minha companheira e minha Rainha. Mas o caso não era esse... A minha mulher era muito mais bela que Desirree. E eu sabia perfeitamente disso como sabia, pois milhões e milhoes de vezes eu rezei, implorei pro Maldito Criador mandar, reencarnar a minha amada feia, quem sabe assim teria uma chance... Mas não Deus a reencarnava, a enviava cada vez mais bela, mais feminina e mais atrativa. Tudo nela fascinava os homens. E eu como ninguém conhecera ela em todas essas benditas vidas e eu somente eu podia dizer como ninguém o quanto a minha mulher era especial. O quanto ela havia evoluído como ser espiritual e pessoa. Sim ela era muito especial, por isso Deus sempre a tirava de mim. À minha mulher somente faltava uma coisa, uma condição, uma ... E essa era a minha esperança.
_ Desirree vá conversamos outra hora.
_ Chefe, Venha. Volte comigo. Eu vim te buscar. Volte pra mim, para o seu reino, para o seu povo.
_ Desirree você não vai me tirar do sério na frente da minha mulher. Não vou assustá-la. Não quero isso jamais.
E a bela ruiva não gostou nem um pouco da minha performance de homem apaixonado e se aproximando rápido disse com sua voz amável: _ E se eu a matar, Chefe??
Ao ouvir tais palavras eu a ataquei e peguei a minha bela ruiva, pelo pescoço e a suspendi no ar. Eu olhei a linda mulher em minha mão,e pensei seria tão fácil destruí-la e então lembrei de que a minha mulher, a minha querida estava vendo tal cena. Eu me virei e olhei para o rosto de minha amada e os seus olhos voltaram a lacrimejar. Eu fiquei atordoado com tal sofrimento e soltei Desirree e deslizei para abraçar a minha amada. Não eu não queria o seu sofrimento. Eu abracei-a e disse que eu não iria fazer nada demais e que Desirree apenas estava com ciúmes, por eu ter escolhido você e não ela, a rainha da beleza e selvageria.
Ela enxugou seus olhos em minha camisa e me abraçou e pela primeira vez em tanto tempo ela disse com sua voz triste: _ È porque eu não sou uma vampira como você e ela são.
Respondi afirmativamente com a cabeça e com minha mão segurando o seu queixo eu levantei sua cabeça e a beijei novamente.
E ao terminar de beijá-la e me afastar sorrindo ela disse também pela primeira vez em tanto tempo com sua voz firme, decidida: _ Eu posso ser, não posso???
Eu não acreditei no que eu ouvi. Depois de tanta e tanta dor, tanto sofrimento meu e das vitimas, depois de tantos e tantos anos, eu estava ali diante do que eu mais queria e ouvindo também o que até ali mais havia doído por todo esse tempo. Ela estava ali querendo a mesma condição que eu nascera. Deus, Diabos era isso. Eu sempre e somente precisei de outra mulher, de outra concorrente para o meu pobre coração de ser estúpido e apaixonado, e então num passe de mágica e ciúmes, eu ganharia a dádiva e a permissão de minha escolhida, de minha amada.
Mas espere pensei ela ainda não escolheu e meu sorriso ficou triste novamente e com minha costumeira voz de angústia perguntei: _ Terias minha amada coragem e disposição de ser como eu sou??? Quer realmente ser, se tornar uma vampira, um ser imortal e como dizem amaldiçoado desgraçado na vida ou na morte, sei lá eu???
Eu não podia ter a resposta ainda, eu não a queria ainda, não estava pronto, e então como apaixonado, enamorado que era por ela apenas a beijei e beijei e por mim ficaria ali sempre e grudado a sua boca, sua bela e carnuda boca. Ao menos enquanto eu a beijava e a abraçava eu podia manter as minhas esperanças acesas...
Mas eu não podia ficar ali somente a beijando por mais que eu quisesse, e então eu terminei o meu beijo já perguntando se ela queria conhecer primeiro o meu mundo, e como era natural a se pensar ela perguntou e as crianças?
E eu ingenuamente: _ Deixemos - as dormindo.
Ela ficou uma fera na hora, se afastou de mim e saiu sozinha em direção a velha casa.
Eu fiquei ali sozinho pensando com raiva de mim mesmo, eu devo ser um idiota. Homem apaixonado só diz e faz besteira mesmo e eu também devo ser o líder desta categoria. Categoria dos tolos apaixonados. E recobrando meus sentidos deslizei e peguei- a pela cintura e disse com minha voz rouca: _ Levemos as crianças, minha querida.
Ela olhou pra mim e disse com sua voz baixairritada: _ Como?? E eu com o jeito mais tranqüilo que pude e voz jovial respondi: _ De carro ora essa. Levemos para a sua família e depois você minha querida vem comigo. E olhando em seus olhos disse com um belo sorriso sensual e voz rouca, e a abraçando por trás de propósito: _ Você aceita ficar comigo?? Vir comigo?? Ser a minha mulher, minha única mulher??
Ela olhou para o meu rosto, fascinada, hipnotizada por tais palavras e por minha sensualidade e eu sorrindo maliciosamente, pois adorava isso em ser vampiro, ela então balançou sua cabeça afirmativamente, quase desfalecendo sem ar.
Ela se virou e me abraçou e sua cabeça ficou encostada em meu peito másculo. Ah! Como essa sensação era boa, era ótima, era gratificante até senti-la. Voltamos pra casa, colocamos as duas crianças no carro e saímos em direção à casa de seus pais. A minha querida já era adulta e não precisava mais ficar dando satisfações da sua vida, e isso era ótimo pra mim, porque de agora em diante, daquela noite em diante, ela seria minha e quem sabe...
Tudo correu como pensávamos e queríamos. Ninguém perguntou ou quis saber de nada. Ótimo pra mim. Bom pra minha mulher. Saímos a pé. Sem nada. Um abraçado ao outro. Juntos. Entramos em uma estrada deserta e eu a peguei no colo e em pouquíssimo tempo, eu estava em minha fortaleza, meu palácio, em meu trono com a tão sonhada, desejada mulher sentada no meu colo. E ela somente tinha olhos pra mim e nada mais. Ela nem mais se assustava. E eu estava ali sentado no lugar de direito com a minha amada imortal no colo, sentindo seu corpo, seu gosto, seu desejo.
E eu era novamente o Senhor Perfeito com sua Amada imortal esperando a tão sonhada resposta. E fui eu que não me esquecendo disso, sussurrei em seu ouvido e disse sei lá por quantas vezes já o fizera, já tinha a muito perdido as contas.
_ Eu a amo minha amada imortal.
E ela embevecida por tais palavras disse a mim com sua voz amável enfatizando todas as letras: _ E eu o amo meu amado imortal. E sim eu quero ser e viver com você sempre, pra sempre e Me Faça a Sua Mulher, sua Vampira, Sua Rainha.
E eu agradecendo mentalmente a Deus o meu presente, eu a beijei no pescoço e a mordi. Sim a mordi e assim finalmente a fiz Minha mulher, Minha Vampira e Minha Amada agora Imortal.
Por VIVIAN SOUZA.
quinta-feira, 18 de março de 2010
Lá vai p/ quem gosta a 2 parte de um conto que terá 3 partes Penso Eu... Não ligue para as pessoas, sou eu mesma nos dois papéis...;)
Segunda - Parte
Eu Amada???
Eu estava passando por um mal bocado em minha vida. Principalmente e especialmente minha vida amorosa. Desde jovem somente me apaixonara como dizia meu pai por moleques, desocupados e cafajestes. Este último então me largou e simplesmente disse a mim que já tinha enjoado de meu corpo e de arrastar esse namoro maçante e sem futuro pra frente.
Eu simplesmente o deixei ir sem uma lágrima sequer. Afinal de contas eu teria que criar vergonha na cara em algum tempo. E penso eu que esse tempo estava aproximando. Aproximando e rápido. Não queria mais me envolver, nem amar tão cedo outro homem, e nem mais pensava nisso ou sentia falta. Contudo no meu profundo Eu, no meu íntimo, eu estava magoada, ferida e me sentindo infeliz e abatida como mulher e ser amado. Eu não era nem sombra do que já havia sido em outra época. Sim eu estava ficando depressiva, pois minha juventude estava passando e passando e eu ainda não tinha encontrado um homem que me queria que me quisesse não pelo meu belo corpo, mas sim por minha bela alma. Bela alma isso eu tinha com toda certeza, mas ultimamente nem mesmo esse aspecto meu não estava mais belo. Eu simplesmente vivia em casa, solitária, macambúzia e totalmente deprimida. Já não me arrumava mais e não havia nada que me despertava interesse. Não comia, não bebia, não saía. Eu já estava me entregando e vivendo o papel de titia e empregada particular da minha mãe. E tudo em troca de nada.
Já havia dias que não me sentia bem. Já até tinha ido fazer uma visita, uma consulta com meu médico, e depois de vários exames ele dissera que o que estava sentindo era normal nos dias de hoje e que quando eu crescesse e casasse isso iria passar. Tais foram suas palavras, que eu somente pude chegar à triste conclusão de que eu estava sofrendo com mal de amor.
Mal de amor uma ova! Mal amada isso sim. E põe mal amada nisso. Eu somente queria dar um jeito em minha vida. Mas como??? Mas qual??? Estudar? Trabalhar? Ah! Isso não me completava. Não me satisfazia plenamente. Nem me fazia inteira, completa, equilibrada.
A única coisa que me auxiliava me tranqüilizava e me trazia novas esperanças era rezar. Acreditar em um ser maior que podia me ouvir, me envolver, me compreender, compreender o meu espírito, o meu anseio, o meu desejo pelo Outro. Eu rezava constantemente pedindo um companheiro, um marido, um ser para amar, para respeitar, mas que também fizesse e agisse do mesmo modo, do mesmo jeito comigo. Tratamentos e direitos iguais, divididos e partilhados igualmente.
E toda noite eu rezava e rezava, e pedia e já agradecia por esse ser em minha vida. E naquela noite em especial, eu adormeci, adormeci agradecendo a Deus por ele já estar próximo a mim.
* * *
Acordei no dia seguinte com o sitio de meus pais na cabeça. Desci para tomar café ainda com várias passagens da infância e da minha época jovem vivenciadas naquele lugar em minha mente. Elas passavam por minha tela mental como que desarquivadas de minha memória aleatoriamente, como se algo ou alguém quisesse que eu sentisse saudade, que eu sentisse falta daquele lugar e fosse para lá. Sim! E isso me fez lembrar que há anos eu não punha os meus pés lá. Pensei vou pra lá, quem sabe lá posso voltar a ser feliz, e na hora todo meu corpo sentiu uma imensa vontade de ir. Acho que vou para lá mesmo. Ficar um pouco sozinha. No meio do mato. No meio do nada. Sem ninguém, sem nada. Isso realmente me pareceu ótimo. Maravilhoso. Pelo menos nesse momento. Isso! Vou para o sítio, vou preparar minhas malas, revisar meu carro e avisar a todos que vou viajar sem destino e tempo certo para voltar.
Nisso o telefone toca na sala e corro para atender, e ao por o fone no ouvido ouço a voz ansiosa do meu irmão pedindo para que eu fosse sua babá no final de semana... Respondo to indo para o sítio e ele feliz da vida retruca do outro lado: _Ótimo passa aqui e pega ele. Ele nem esperou por minha resposta e desligou o telefone na minha cara. Coisa comum entre nós. De repente o telefone toca novamente e agora é minha irmã que já havia falado com meu irmão e que agora ela também queria que eu passasse lá e pegava a minha sobrinha que já estava pronta e à minha espera. E como sempre desligara também na minha cara. É esse era o problema, ninguém me amava e então todos se sentiam no direito de me desrespeitar.
Eu somente tive tempo de concordar intimamente em ficar com as crianças, afinal eu adorava ficar com elas e cuidar delas. E esse papel também seria ótimo pra mim agora, pois poderia me ajudar a me desvencilhar da maldita depressão. Organizei tudo o que necessitava pra tal viagem. Fiz compras. Peguei coisas básicas e necessárias para quando se vai pro meio do nada. Coloquei créditos em dois telefones pra segurança das crianças e minha e depois de tudo meticulosamente pensado e analisado, o carro revisado e tudo pronto, entrei no carro, sentei, prendi o cinto de segurança, e ajeitando-me e beijando o crucifixo que trazia ao peito, disse em voz alta uma oração a Deus. E segurando depois firme no volante e arrumando os espelhos suspirei fundo e exclamei:
_ “Que seja o que Deus Quiser.”
* * *
Chegamos ao sítio com o crepúsculo que já se anunciava. A casa antiga e velha precisava de muitas reformas, porém para passar apenas alguns dias agradáveis estava ótima. Descemos do carro e retirei dele somente o necessário que íamos precisar afinal nunca se sabe o que podia vir acontecer e eu preferia sempre me precaver. Entrei na casa e imediatamente iniciei os afazeres domésticos, as crianças foram brincar, correr, cair e ver um passarinho aqui ou acolá, ou então qualquer bichinho ou coisa que os chamassem à atenção. Eu limpei e organizei tudo, fiz a janta e fiquei um bom tempo na mesa conversando com as crianças, conversando coisas corriqueiras e infantis como sempre. Depois as levei pra cama e fiquei ali de companhia para que elas pudessem dormir. Elas adormeceram rápido. Rápido demais para o meu gosto, mas daí eu pensei deve ser o cansaço, correram brincaram como dois condenados desde que chegamos, e até eu estava já a muito cansada, exausta.... Sai em direção ao meu quarto e fiquei grata por ter os meus dois tesouros dormindo e ali comigo. Empurrei a porta do meu quarto que estava apenas encostada entrando fechando a com o corpo ainda no escuro, sentindo o conforto da penumbra cobrindo todo o meu ser. Havia um luar lá fora, encoberto pelas nuvens negras da noite, mas ainda assim havia uma claridade mínima da Lua. Senti uma tristeza profunda quase uma dor, naquela escuridão, pois ali eu me dei conta de que eu estava sozinha, eu era uma pessoa sozinha, solitária e infeliz. Sim infeliz e extremamente solitária.
Acendi a luz e qual foram o meu medo e terror por ver o que meus olhos viram. A imagem decodificada por meu cérebro quase me fez desmaiar de susto. Senti meu corpo inteiro tremular e minha respiração e pressão sangüínea ficaram irregulares. Havia um homem todo de preto sentado encostado no peitoril de madeira maciça da janela, com uma perna dobrada e seu braço por cima dela a qual sustentava também seu corpo inclinado o que formava um belíssimo contorno masculino e a sua outra perna já estava do lado de dentro do meu quarto com seu bonito sapato a pouquíssimos centímetros do chão.
Eu apenas ouvi a sua voz máscula, e no timbre de sua voz forte ele também demonstrava toda a sua angústia, mas mesmo assim era muito bonita e prazerosa de se ouvir: _ Não tenha medo, Querida! Não irei fazer nenhum mal a você. Jamais, Nunca....
Pensei vou abrir a porta e sair correndo, e quando meu corpo ia executar tal atitude , ele levantou levemente o seu braço e abrindo sua mão em direção à porta, a porta se soldou, fechou logo atrás do meu corpo, e eu ouvi novamente a sua voz forte, máscula dizendo: _ Não adianta minha amada, eu e você precisamos conversar nos entender, porque eu não suporto mais essa situação toda. Eu a amo e quero você de volta pra mim.
Pude agora ver que Ele levantou a sua cabeça que até então permaneceu levemente abaixada e eu percebi o quanto ele era lindo. Lindo podia ser apelido. Ele era magnífico, maravilhoso, o rei do baile, com toda certeza sempre. Agora fui eu que deixei cair minha cabeça e os meus olhos aos seus pés. Meu Deus ele disse que me quer de volta e que sou a sua amada. Esse homem me ama??? Mas Deus como??? Eu nem o conheço. Como então posso ser amada por alguém que não conheço??? Minha mente e meu corpo fervilhavam, tremulavam de medo ou de alegria, não sabia ao certo.
Ele pulou pra dentro do quarto e percebi por suas passadas que ele estava se aproximando. Ele estava bem próximo de mim já. E eu ali estática apenas esperando, esperando. Ele chegou bem perto e disse num sussurro o meu Nome e disse com todas as letras e sons: _ “Eu a Amo Minha Amada Imortal.”
Eu quase desfaleci, encostei meu corpo trêmulo e bambo ainda mais contra a porta. Meu Deus! Pensei não era isso que eu mais queria. E agora ele estava ali na minha frente. E eu agora só não sabia se Ele poderia ser sonho, realidade ou pesadelo. Ou talvez quem sabe um castigo ou bênçãos de Deus. Ele se aproximou ainda mais o seu corpo do meu, e senti na sua aproximação todo seu desejo e a sua ansiedade para ter-me junto a ele. Eu levantei minha cabeça e olhei para seu rosto. E ele sorriu e eu pude ver declaradamente as suas belas presas, seus belos caninos finos e pontiagudos. Na minha mente ouvi um grito sonoro e surgiu em letras garrafais a palavra VAMPIRO. Automaticamente levei a mão ao crucifixo de ouro e o apertei, enfiei contra o seu corpo como via nos filmes. Ele gemeu e caiu de joelhos com seu peito queimando de dor. Eu quase não acreditei. Sim ele era realmente verdadeiramente um vampiro. Um lindo vampiro. E estava de joelhos aos meus pés sofrendo e sentindo dor devido a um ferimento que eu fiz nele. E lá estava ele gemendo de cabeça baixa aos meus pés. Senti uma enorme comiseração por ele, senti quase sua dor e num impulso de ódio, puxei o cordão com força, arrancando do meu pescoço e lançando o longe e com lágrimas nos olhos, cai de joelhos escorregando meu corpo pela porta e peguei seu lindo rosto com minhas mãos macias, quentes e trêmulas pedindo e implorando por seu perdão.
Ele levantou o seu rosto triste me encarando, e como eu já me apresentava atormentada demais e chorando, por ter feito em seu peito tal ferimento profundo, e nenhuma palavra iria me acalmar penso eu, Ele encostou seu rosto no meu e me beijou. E com o seu beijo eu pude conhecer e experimentar e perceber em mim tudo o que ele estava sentindo e experimentando e a sensação e a impressão que se apoderaram de mim foi um misto de alegria, sofrimento e prazer. E eu tive a dádiva e a fé de saber que sim Eu era AMADA.
Por VIVIAN SOUZA.
Eu Amada???
Eu estava passando por um mal bocado em minha vida. Principalmente e especialmente minha vida amorosa. Desde jovem somente me apaixonara como dizia meu pai por moleques, desocupados e cafajestes. Este último então me largou e simplesmente disse a mim que já tinha enjoado de meu corpo e de arrastar esse namoro maçante e sem futuro pra frente.
Eu simplesmente o deixei ir sem uma lágrima sequer. Afinal de contas eu teria que criar vergonha na cara em algum tempo. E penso eu que esse tempo estava aproximando. Aproximando e rápido. Não queria mais me envolver, nem amar tão cedo outro homem, e nem mais pensava nisso ou sentia falta. Contudo no meu profundo Eu, no meu íntimo, eu estava magoada, ferida e me sentindo infeliz e abatida como mulher e ser amado. Eu não era nem sombra do que já havia sido em outra época. Sim eu estava ficando depressiva, pois minha juventude estava passando e passando e eu ainda não tinha encontrado um homem que me queria que me quisesse não pelo meu belo corpo, mas sim por minha bela alma. Bela alma isso eu tinha com toda certeza, mas ultimamente nem mesmo esse aspecto meu não estava mais belo. Eu simplesmente vivia em casa, solitária, macambúzia e totalmente deprimida. Já não me arrumava mais e não havia nada que me despertava interesse. Não comia, não bebia, não saía. Eu já estava me entregando e vivendo o papel de titia e empregada particular da minha mãe. E tudo em troca de nada.
Já havia dias que não me sentia bem. Já até tinha ido fazer uma visita, uma consulta com meu médico, e depois de vários exames ele dissera que o que estava sentindo era normal nos dias de hoje e que quando eu crescesse e casasse isso iria passar. Tais foram suas palavras, que eu somente pude chegar à triste conclusão de que eu estava sofrendo com mal de amor.
Mal de amor uma ova! Mal amada isso sim. E põe mal amada nisso. Eu somente queria dar um jeito em minha vida. Mas como??? Mas qual??? Estudar? Trabalhar? Ah! Isso não me completava. Não me satisfazia plenamente. Nem me fazia inteira, completa, equilibrada.
A única coisa que me auxiliava me tranqüilizava e me trazia novas esperanças era rezar. Acreditar em um ser maior que podia me ouvir, me envolver, me compreender, compreender o meu espírito, o meu anseio, o meu desejo pelo Outro. Eu rezava constantemente pedindo um companheiro, um marido, um ser para amar, para respeitar, mas que também fizesse e agisse do mesmo modo, do mesmo jeito comigo. Tratamentos e direitos iguais, divididos e partilhados igualmente.
E toda noite eu rezava e rezava, e pedia e já agradecia por esse ser em minha vida. E naquela noite em especial, eu adormeci, adormeci agradecendo a Deus por ele já estar próximo a mim.
* * *
Acordei no dia seguinte com o sitio de meus pais na cabeça. Desci para tomar café ainda com várias passagens da infância e da minha época jovem vivenciadas naquele lugar em minha mente. Elas passavam por minha tela mental como que desarquivadas de minha memória aleatoriamente, como se algo ou alguém quisesse que eu sentisse saudade, que eu sentisse falta daquele lugar e fosse para lá. Sim! E isso me fez lembrar que há anos eu não punha os meus pés lá. Pensei vou pra lá, quem sabe lá posso voltar a ser feliz, e na hora todo meu corpo sentiu uma imensa vontade de ir. Acho que vou para lá mesmo. Ficar um pouco sozinha. No meio do mato. No meio do nada. Sem ninguém, sem nada. Isso realmente me pareceu ótimo. Maravilhoso. Pelo menos nesse momento. Isso! Vou para o sítio, vou preparar minhas malas, revisar meu carro e avisar a todos que vou viajar sem destino e tempo certo para voltar.
Nisso o telefone toca na sala e corro para atender, e ao por o fone no ouvido ouço a voz ansiosa do meu irmão pedindo para que eu fosse sua babá no final de semana... Respondo to indo para o sítio e ele feliz da vida retruca do outro lado: _Ótimo passa aqui e pega ele. Ele nem esperou por minha resposta e desligou o telefone na minha cara. Coisa comum entre nós. De repente o telefone toca novamente e agora é minha irmã que já havia falado com meu irmão e que agora ela também queria que eu passasse lá e pegava a minha sobrinha que já estava pronta e à minha espera. E como sempre desligara também na minha cara. É esse era o problema, ninguém me amava e então todos se sentiam no direito de me desrespeitar.
Eu somente tive tempo de concordar intimamente em ficar com as crianças, afinal eu adorava ficar com elas e cuidar delas. E esse papel também seria ótimo pra mim agora, pois poderia me ajudar a me desvencilhar da maldita depressão. Organizei tudo o que necessitava pra tal viagem. Fiz compras. Peguei coisas básicas e necessárias para quando se vai pro meio do nada. Coloquei créditos em dois telefones pra segurança das crianças e minha e depois de tudo meticulosamente pensado e analisado, o carro revisado e tudo pronto, entrei no carro, sentei, prendi o cinto de segurança, e ajeitando-me e beijando o crucifixo que trazia ao peito, disse em voz alta uma oração a Deus. E segurando depois firme no volante e arrumando os espelhos suspirei fundo e exclamei:
_ “Que seja o que Deus Quiser.”
* * *
Chegamos ao sítio com o crepúsculo que já se anunciava. A casa antiga e velha precisava de muitas reformas, porém para passar apenas alguns dias agradáveis estava ótima. Descemos do carro e retirei dele somente o necessário que íamos precisar afinal nunca se sabe o que podia vir acontecer e eu preferia sempre me precaver. Entrei na casa e imediatamente iniciei os afazeres domésticos, as crianças foram brincar, correr, cair e ver um passarinho aqui ou acolá, ou então qualquer bichinho ou coisa que os chamassem à atenção. Eu limpei e organizei tudo, fiz a janta e fiquei um bom tempo na mesa conversando com as crianças, conversando coisas corriqueiras e infantis como sempre. Depois as levei pra cama e fiquei ali de companhia para que elas pudessem dormir. Elas adormeceram rápido. Rápido demais para o meu gosto, mas daí eu pensei deve ser o cansaço, correram brincaram como dois condenados desde que chegamos, e até eu estava já a muito cansada, exausta.... Sai em direção ao meu quarto e fiquei grata por ter os meus dois tesouros dormindo e ali comigo. Empurrei a porta do meu quarto que estava apenas encostada entrando fechando a com o corpo ainda no escuro, sentindo o conforto da penumbra cobrindo todo o meu ser. Havia um luar lá fora, encoberto pelas nuvens negras da noite, mas ainda assim havia uma claridade mínima da Lua. Senti uma tristeza profunda quase uma dor, naquela escuridão, pois ali eu me dei conta de que eu estava sozinha, eu era uma pessoa sozinha, solitária e infeliz. Sim infeliz e extremamente solitária.
Acendi a luz e qual foram o meu medo e terror por ver o que meus olhos viram. A imagem decodificada por meu cérebro quase me fez desmaiar de susto. Senti meu corpo inteiro tremular e minha respiração e pressão sangüínea ficaram irregulares. Havia um homem todo de preto sentado encostado no peitoril de madeira maciça da janela, com uma perna dobrada e seu braço por cima dela a qual sustentava também seu corpo inclinado o que formava um belíssimo contorno masculino e a sua outra perna já estava do lado de dentro do meu quarto com seu bonito sapato a pouquíssimos centímetros do chão.
Eu apenas ouvi a sua voz máscula, e no timbre de sua voz forte ele também demonstrava toda a sua angústia, mas mesmo assim era muito bonita e prazerosa de se ouvir: _ Não tenha medo, Querida! Não irei fazer nenhum mal a você. Jamais, Nunca....
Pensei vou abrir a porta e sair correndo, e quando meu corpo ia executar tal atitude , ele levantou levemente o seu braço e abrindo sua mão em direção à porta, a porta se soldou, fechou logo atrás do meu corpo, e eu ouvi novamente a sua voz forte, máscula dizendo: _ Não adianta minha amada, eu e você precisamos conversar nos entender, porque eu não suporto mais essa situação toda. Eu a amo e quero você de volta pra mim.
Pude agora ver que Ele levantou a sua cabeça que até então permaneceu levemente abaixada e eu percebi o quanto ele era lindo. Lindo podia ser apelido. Ele era magnífico, maravilhoso, o rei do baile, com toda certeza sempre. Agora fui eu que deixei cair minha cabeça e os meus olhos aos seus pés. Meu Deus ele disse que me quer de volta e que sou a sua amada. Esse homem me ama??? Mas Deus como??? Eu nem o conheço. Como então posso ser amada por alguém que não conheço??? Minha mente e meu corpo fervilhavam, tremulavam de medo ou de alegria, não sabia ao certo.
Ele pulou pra dentro do quarto e percebi por suas passadas que ele estava se aproximando. Ele estava bem próximo de mim já. E eu ali estática apenas esperando, esperando. Ele chegou bem perto e disse num sussurro o meu Nome e disse com todas as letras e sons: _ “Eu a Amo Minha Amada Imortal.”
Eu quase desfaleci, encostei meu corpo trêmulo e bambo ainda mais contra a porta. Meu Deus! Pensei não era isso que eu mais queria. E agora ele estava ali na minha frente. E eu agora só não sabia se Ele poderia ser sonho, realidade ou pesadelo. Ou talvez quem sabe um castigo ou bênçãos de Deus. Ele se aproximou ainda mais o seu corpo do meu, e senti na sua aproximação todo seu desejo e a sua ansiedade para ter-me junto a ele. Eu levantei minha cabeça e olhei para seu rosto. E ele sorriu e eu pude ver declaradamente as suas belas presas, seus belos caninos finos e pontiagudos. Na minha mente ouvi um grito sonoro e surgiu em letras garrafais a palavra VAMPIRO. Automaticamente levei a mão ao crucifixo de ouro e o apertei, enfiei contra o seu corpo como via nos filmes. Ele gemeu e caiu de joelhos com seu peito queimando de dor. Eu quase não acreditei. Sim ele era realmente verdadeiramente um vampiro. Um lindo vampiro. E estava de joelhos aos meus pés sofrendo e sentindo dor devido a um ferimento que eu fiz nele. E lá estava ele gemendo de cabeça baixa aos meus pés. Senti uma enorme comiseração por ele, senti quase sua dor e num impulso de ódio, puxei o cordão com força, arrancando do meu pescoço e lançando o longe e com lágrimas nos olhos, cai de joelhos escorregando meu corpo pela porta e peguei seu lindo rosto com minhas mãos macias, quentes e trêmulas pedindo e implorando por seu perdão.
Ele levantou o seu rosto triste me encarando, e como eu já me apresentava atormentada demais e chorando, por ter feito em seu peito tal ferimento profundo, e nenhuma palavra iria me acalmar penso eu, Ele encostou seu rosto no meu e me beijou. E com o seu beijo eu pude conhecer e experimentar e perceber em mim tudo o que ele estava sentindo e experimentando e a sensação e a impressão que se apoderaram de mim foi um misto de alegria, sofrimento e prazer. E eu tive a dádiva e a fé de saber que sim Eu era AMADA.
Por VIVIAN SOUZA.
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